terça-feira, setembro 26, 2017

Abestalhável Mundo Novo


não falava de amor...
contava memórias...
falava do povo.

por motivo de força menor
declaro-me "morta"
zerada, exaurida, apagada
para este triste mundo novo

o cotidiano está a cada dia
mais podre... sintético...
mediano

aponta-me o caminho do silêncio
o canto do esquecimento.

belisco a alma e constato
foi-se o sentimento.

meu lugar é o limbo...
dos poetas sufocados...
meu lugar é no fogão,
a mediocridade...
e o pão

não adianta gritar cercada
de "aborígenes":
--nem só do pão
vive-se.

indignamente sobrevive-se.

meu destino cumpriu-se.
sou escadaria...
e nunca chegarei ao topo...
da sabedoria.

estes primatas com os quais reparto a "vida"
estão preocupados apenas em
"viver", comprar, comer, defecar e morrer.

vence o mais forte!
gastou-me a bateria.
e não quero "sobreviver"

Sônia Anja

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