domingo, junho 03, 2018

Na confeitaria














Reflexos de mim bebem chá com bolinhos na mesa ao lado.
Alheias. Como se o tempo não houvesse passado.
Dividem saberes milenares.
Receita de bolo e bordares.
Trocam de netas, bisnetas.
Fotos na carteira.
Memórias. "Re-memórias".
(Quem quer saber?)
De vida inteira.
Reflexos de mim bebem chá com bolinhos na mesa ao lado.
Tossem, pigarreiam e tem dores enumeradas
nas articulações.
No rosto: sulcado pergaminho,
O olho que brilha ilusões.
No peito marcado de espinhos,
o sonho esperneia sempre menino,
mas as dúvidas permanecem...
Quem será a próxima a faltar ao encontro?
Pensam todas. Como se todas não soubessem.

Sonia Anja.

terça-feira, maio 29, 2018

Solilóquio




















Conduzo meu solilóquio...
com ares de quem manda...
e gesto de quem obedece.

a onda do silêncio...
é música e cresce...

posso tudo quando mergulho.
escafandrista de mim!
guardiã do tesouro!

creio e alguém revela:
algum silêncio.. não é silêncio...
é ouro.

Sonia Anja

Loucura consentida












Paixão é algo de sadomasoquismo...
Dor vira prazer.
Prazer vira dor.

estado de contentamento
enlouquecedor

é leve bolha de sabão...
não inclui escovas de dente entrelaçadas,
nem meias sujas pelo chão.

é  loop de brindes com champanhe.
loucuras compartilhadas...
o amor feito em escadas...
arrepios de nunca mais.

estado de alheiamento
e juras fatais

Paixão é  para os fortes...
É droga necessária...
vontade incendiária,

mas por ser fogo, é fugaz...
e mais cedo ou mais tarde
é apagada
deixada para traz.


Sonia Anja

Escolhas











As escolhas não são previsíveis...
poço de teimosia e sem fundo.
sou eu: grão de areia...
no areal de opção
perita em seguir miragens...
e garimpar ilusão.
vivo de tatear o nada,
como quem se aventura...
sem mãos.
atrai-me o que não é óbvio.
arrebata-me o marginal,
pois tudo que ferve o sangue
dá a razão de existir,
não há como sobreviver,
singrando o mar da contradição,
sem o vento contrário às velas...
e o sal nas feridas do coração.

Sonia Anja

Rédeas












tudo se encaminha para um final turbulento....
Empenho-me em manter a harmonia no caos
tento.
está acima de mim... de minhas forças e disposição
segurar as rédeas dos acontecimentos
com o coração
Sonia Anja

Vide bula




















rótulos, chips invisíveis...
decretam o que seremos.
experimente mudar radicalmente
crescer interiormente!
experimente cultivar a empatia....
Nada vai mudar.
Esta é a única via.

As pessoas que te rodeiam vão
sempre te catalogar conforme
a primeira impressão
ou pelo que terceiros dirão.

isto vem de berço?
da aborrescente que fostes?
ou da incapacidade de discernimento geral?

Ninguém muda!
Diz a grande maioria "Normal"

escolha dar murros em ponta de facas...
ou deixar de ser você e acompanhar a
falsa ilusão.
e tornar-se o esteriótipo obrigatório...
oferecido pela multidão.

Sônia Anja

A erudição do desejo








Busco a frase de amor que não fale somente de flores...
A frase do sexo que não grite somente a língua da língua...

o flanco, a coxa... a vulva caliente e roxa
o papo cabeça que não fale somente da guerra...
o sonho do povo que não seja somente terra
a telepatia dos sentidos
o serenidade do espirito
o descanso dos ouvidos

busco o holograma do beijo
teletransporte da matéria
a erudição do desejo
e abreviamento da espera.

*Sonia Anja

domingo, maio 06, 2018

Sentinela


















Tento de todas as maneiras manter-me à tona...
O fardo que não é meu ... preso às costas...
O fundo do poço cada vez mais convidativo.

As cordas que me prendem ao dia,
(marionete que sou),
são meros compromissos...
de meu coração que pode tudo...
voa voos impossíveis,
mas não consegue ser omisso.

e ouvidos que ouvem...
ouvem demais .
e olhos que veem...
veem demais...
pro meu gosto.

Até quando?
Quanto me falta?
para abandonar o posto?

Sônia Anja

Limites














Já estiveste na situação limítrofe...
em que você desiste ou desiste?
E bobamente encontrou lá no fundo...
de algo que não é mais você e insiste...
um micro motivo,
um bobo incentivo...
para continuar?
Mesmo em vão...
Mesmo que não suporte?
Você já se fez de forte?
Você: Incapaz do Não.
Sônia Anja

Responsa













O defeito da responsabilidade nasceu comigo
De dia é meu bichinho de estimação
de noite, debaixo da cama, não me deixa dormir
pura assombração.
é defeito sim!
sentir-se responsável pelo bem estar geral
e irrestrito
E reconheço-me fracasso
falta-me tempo e gabarito.
Incapaz de sorrir se alguém chora
incapaz de saber por que existo
Acorrentada a este mundo que não reconheço,
sem chance de fuga...
mesmo tão cansada
resisto.

Sônia Anja

Arquitetando a fuga













o erro é acumular vínculos e afetos. 
o mito de ser responsável por quem cativamos.
o erro é ser menos amado do que amamos.
O erro é plantar, pois não podemos fugir da obrigação de regar.
o erro é apegar.
nascemos sós... e quando percebemos estamos sufocados de uma multidão para amar.
Não fosse isto... seria fácil... muito fácil.
Desencanar.
Desencarnar.
Desintegrar
Sumir no ar

Sonia Anja

segunda-feira, dezembro 18, 2017

Sintonia fina



















Onde Deus? Onde Diabo?
Não costumo pedir nada a eles...
acho que já tem serviço dobrado
pago eu mesma... os meus pecados.

tudo um lance de DNA...
azar de vir com empatia embutida...
e a dor alheia dÓi mais em mim...
dói mais em mim... olhar a vida.

E se furar as retinas...
resta o tato...os sentidos
e a sintonia fina.

o que que me dói é mundo...
e transborda.
o que me sorri é profundo...
e transborda.

o raso não me conforma

tenho como defesa...
o sorriso que não se explica...
e a faca que não corta.

Ora o que sinto?
Não importa!

*Sonia Anja.

quinta-feira, novembro 16, 2017

Uva passa











Tudo passa.
O amor passa...
Ectoplasma... atravessa paredes e passa...

O trem passa.
A dor passa.
A paisagem passa.

O amor?
Passa.

Fantasma... atravessa paredes e some.

Não há o que se faça!

Sônia Anja

Anticlímax















Depois de um longo silêncio
mais silêncio.
E a certeza da incerteza.

Nem sempre a alegria que sinto...
é acompanhada.

Nem sempre a agonia que sinto...
é acalmada...

o silêncio me guia...
segue-me luz...

e eu...
apagada.

Sonia Anja

Susto














Cachoeira feroz,
que se lança ao abismo.
com a força e determinação
de um raio ...um sismo.

Carrega com
tudo pela frente...
e morre serena...
em um lago... 
frio e quente...

Remanso ameno e seguro,
que uns chamam amor puro...

E outros constatam somente:
Ou é paixão ou não se sente!

Sônia Anja

quarta-feira, setembro 27, 2017

Falar do amor













O que é o amor?
O que é amar?

cavar no concreto...
um buraco negro..
falar do amor...
que já não está.

peso de pedra...
plenura vazia...
inominável dor:
o espanto
e a apatia...

de quando o amor...
se veste de invisível.

impossível perceber...
no primeiro tropeço?
no primeiro tormento?
ou após vários e vários...
estranhamentos?

quando o eterno torna-se efêmero...
e nos resignamos a jogar no lixo,
como restos frios do prato...
o retrato, as juras...
as voltas...
o trato.

Sônia Anja

terça-feira, setembro 26, 2017

Abestalhável Mundo Novo


não falava de amor...
contava memórias...
falava do povo.

por motivo de força menor
declaro-me "morta"
zerada, exaurida, apagada
para este triste mundo novo

o cotidiano está a cada dia
mais podre... sintético...
mediano

aponta-me o caminho do silêncio
o canto do esquecimento.

belisco a alma e constato
foi-se o sentimento.

meu lugar é o limbo...
dos poetas sufocados...
meu lugar é no fogão,
a mediocridade...
e o pão

não adianta gritar cercada
de "aborígenes":
--nem só do pão
vive-se.

indignamente sobrevive-se.

meu destino cumpriu-se.
sou escadaria...
e nunca chegarei ao topo...
da sabedoria.

estes primatas com os quais reparto a "vida"
estão preocupados apenas em
"viver", comprar, comer, defecar e morrer.

vence o mais forte!
gastou-me a bateria.
e não quero "sobreviver"

Sônia Anja

Nada II


















Nada a esperar...
Sempre.

Nada para trás...
Frente.

Muro a separar...
Tudo.

Nada a declarar...
Mudo.

Como ignorar...
sei.

Tudo suportar...
(h)ei?


Sonia Anja

Viver é isto?














Driblar maus presságios e dor,
como quem passa correndo,
olhos fechados pelo quarto escuro...
Uma barata na parede.
o vulto atrás do muro
o monstro do porão.

Arrepio que dura relâmpagos de medo.
Evitar o terreno minado da "não solução"...

Recorrer a saída paliativa da débil convicção:
"o que não tem remédio... remediado está"
Simular amnésia...apagar vestígios de decepções.

Desprezar os mapas.
ignorar bússolas.
Singrar o mal das ilusões.

E quando esbarrar no beco sem saída,
enfrentar o desconhecido...destemida
Pisar firme sobre os espinhos que hão de vir...
E acima de tudo e por tudo... Sorrir!

Sonia Anja.

Tricô
















Despede-se da vida,
como quem abandona o tricô
e segue no automático.
como dócil e amável robô.

Despede-se do sonho,
como quem acabou de acordar,
lavar o rosto, sorrir para si...
Como quem brinca de representar.

Despede-se de si
como quem acena à vizinha...

(Cruzar a sala...
Rumo a cozinha.)

Dispõe sorrisos
afáveis sobre a mesa.
E serve o coração
de sobremesa.


*Sonia Anja

segunda-feira, setembro 25, 2017

Empatia















Nem tudo rosa e vinho.
Quer viver intensamente?
tente provar horrores,
ressacas e espinhos.

"pimenta nos olhos dos outros"...
como termina... você já sabe.
Quero ver trocar de pele,
sentir a dor não lhe cabe.
A dor é feia e existe.

Sonia Anja

Ávida


















Exijo a vida
(Não a vidinha havida),
normose imposta e adquirida...

(Sobretudo e não obstante) :)

Mereço a vida
(Não a vidinha havida)
contar a mesma história?
tocar na mesma ferida?

Não obrigada!

Prefiro aquela:
ou esta:
fora dos trilhos
e desenfreada.

Não importa se lá adiante
não haja nada...
não aja nada...

*Sônia Anja

Rastros














Com o fiar dos anos,
vamos tecendo atos.
E cometendo enganos:
Difíceis de consertar.

Com o correr dos trilhos...
vamos fazendo filhos.
Vamos ficando fartos.
Vamos deixando rastros.
Difíceis de apagar.

O andar fica mais lento.
E a vontade: nem tanta.
E já não é qualquer firula...
que nos encanta.

*Sônia Anja.

Alienígena














A língua estranha que falo...
não atinge:
nem arte,
nem gente,
não arde,
não sente..

A cada sim:
um não.
Cada conflito:
sem solução.
Se falo de flores:
morcegos.
Se falo coragem:
são medos.
Quando chego:
partes.
Quando parto:
natimorto.

Barco que vaga...
sem encontrar porto.

Sonia Anja .

terça-feira, junho 13, 2017

No final do Arco íris














Amor é duende.
está onde não se vê...
é por isto que nele...
muito pouco se crê


Amor é fim de arco íris...
pote de delicias que não se alcança...
e a delícia está em não alcançar...
se alcançar... enjoa... cansa


Buscar o amor é garimpar
peneira dos afetos
amor enquanto durar


pérola negra,
lenda,mistério.
coisa que não se descobre...
(Se acha!)
neste ou no outro hemisfério.


o amor não é cura
o amor é doente,
quanto mais a gente procura,
mais se esconde da gente


Sonia Anja

domingo, junho 04, 2017

De ataques e defesas (achadouro)
















Onda dentro me ronda.
fora vem, se demora.
sombra cresce, devora.
onda vem, vai embora.


Meu umbigo: teu,
teu umbigo: mundo,
sumidouro fundo,
achadouro céu,
Bebe todo o fel,
cospe todo o mel.
Se defende: Medo
Se ataca: Cedo
Bebo todo o fel,
cuspo todo o mel

*De ataques e defesas

Se ataca: Cedo
Se defende: Medo
Vertedouro ferve,
fervedouro-verve.
Meu tesouro arde.
Sede...Cedo ou tarde.
Onda dentro me ronda.
fora vem, se demora.
sombra cresce, devora.
onda vem, vai embora.
...
Bebo todo o fel,
cuspo todo o mel.

*de ataques e defesas

Sônia Anja


sexta-feira, junho 02, 2017

Jardim
















No jardim da imaginação...
tudo floresce na lucidez da contramão.

hábeis astrolábios?
longitude, altitude?
inábeis "regraduras"?
polidez ou atitude?


perdem a razão de ser
No terreno do desconhecido
todo o espaço atrai e é movediço...
então! é querer ou querer.


não há lei humana,
da física, da astrofísica.
quântica?semântica?.


que impeça o prazer do prazer.


Sônia Anja

segunda-feira, maio 29, 2017

Fogo de Artifício
















Tenho a manha de ser joguete,
foguete sem direção,
remoto auto controle,
...o doce que roubam da mão.

Sou barco à deriva,
ou navego na contramão
buscando sempre alturas,
c'a cara de encontro ao chão.

A sina de ser tão crente,
tão boba e tão tesão.
Aliso sonho inocente...
e surto só ilusão.

Sônia Anja  #editado

domingo, abril 23, 2017

Deja vu II















Respiro um ar emprestado...
sob as vestes que outrora...
vestiram alguns ideais.

saber de onde vieram?
até arrisco que sei!
pra onde vão... não mais.

persigo rastros já gastos...
que levam a lugar algum.
aguarda-me destino?
nenhum.

repetir de gestos,
repisar de fatos,
peso sobre ombros,

incessante exercício:
vagar entre escombros.
na dor recorrente insisto:
erguer-me após os tombos.

Até sempre?
Até quando?


Sônia Anja

sábado, abril 22, 2017

Lenitivus Atrozis (Dia do Não) - Musicado











Misto de Mary Poppins com Raul Seixas...
dentro e fora da minha cabeça.
Uma espécie de Tim Maia, que talvez compareça.

Preciso cravar minha alma no olho da Terra.
Antes... Antes... O quanto antes...
que apodreça.

Não nasci há mil anos atrás, mas vejo cristos...
serem crucificados todos os dias.
Brigam dentro de mim Malévolas...
e alices do país das Maravilhas.

Ainda não mordo, nem espumo,
mas sou do contra... Sou do Não.

Não à hipocrisia...Não à covardia...
Não à auto-escravidão.
Hoje é meu dia da Rebeldia.
Hoje é meu dia do Não.

Sônia Anja

domingo, março 26, 2017

Periférica


Custa-me manter o foco,
pois minha visão de tudo...
é naturalmente desfocada,
abrangente.

e o que complica é isto...
de ser anjo,demônio,
poeta e gente.

maldita visão periférica...
que nada deixa passar.
peneira que sou no garimpo
da arte do ser e estar.

enquanto a mente sente.
o corpo cansado mente.
a chama de estar presente...
e *minh'alma a dar... a dar*

qual notas de um fado ausente
guitarras de além mar.


Sônia Anja

Fora do Jogo





Sou o dado...
não sou o jogo.


soldado...
de chumbo ao fogo.


pra lá e pra cá
jogado.


um zero
e adulterado.


sou rei e me
chamo povo.


Sonia Anja

Gira... Girou









Se até a pomba gira,
"gira sol" e gira mundo.
Tudo gira nessa vida...
Tudo muda num segundo...


Devagar se vai ao topo...
e ligeiro vai-se ao fundo.


De rodar: "rodamoinho".
De girar: roda gigante.
Falta'braço no(t) carinho...
Cabe o mundo no instante.


De sonhar se ganha o mundo.
De pensar se perde a chance.


Sonia Anja.

Turbilhão














Injusto!
ter uma só vida,
quando mil vidas seriam insuficientes.


Absurdo!
Lamber uma só ferida,
entre mil chagas incandescentes.


Calar...
quando a alma canta.


Morder a língua...
entre muda e tonta.


Estremecer,,,
estátua na estação...
enquanto o trem da vida passa...
e arranca os trilhos do chão.


Sonia Anja

terça-feira, março 21, 2017

Frágil Certeza
















Nada de espernear ante o destino...
Esse menino arteiro.

Esconda-se no castelo de cartas...
Refúgio derradeiro.

Frágil certeza!

Vira-se mundos e fundos...
e no final é somente...
o cumprir da Natureza.


Sonia Anja

quinta-feira, março 16, 2017

Foto Agonia
















Onda que não retorna...
Onda que não se quebra...
Noite que se faz dia.


Flor que o peito adorna...
uma alegria morna...
pose sem alforria.


Luz capturada...
em imóvel agonia.


qual nubente dúvida
flagrada pelo altar
o sim que não diria


Milimetricamente exprime...
o exato momento do crime...
Sorrir quando não queria...

Auto Sabotagem




















Confecciona-se auto-armadilhas como se fossem cestos...
Trançados de escolhas erradas, mais que acertos.

Emaranhado de passos a nenhum lugar...
Implícito que se marche...
Marchar!

Nas costas, a carga inútil da faina:
tecer com fios de insensatez,
o vício de acertar.


Sônia Anja.

quarta-feira, março 15, 2017

Porto Inseguro




Quero o porto inseguro.
Não tenho mais medo do escuro.
Não tenho mais medo de mim....

Quero casulo de risos...
quero explodir o abrigo
Quero o caminho sem fim.

Ignorar o inimigo.
Rir na cara do perigo.
Não digo mais não...
Digo sim.

Sônia Anja

Caixinha de surpresas















Aprendi a engraxar sapatos...
na caixinha torta de madeira..
samba .. na flanelinha.
alma na brincadeira.

Brinquei
de Cowboy e de menina.
Aprendi a ler e escrever...
sozinha.

Campeã de cinco marias,
quase me fui com ciganos,
tinha aulas de karl marx,
e mal tinha nove anos.

Não podia andar descalça,
nem pegar vento encanado,
mas fugia e via o circo...
e aos onze: Namorado.

Nunca usei relógio,
mas jamais perdi a hora...
pois a hora eu mesma faço
por preguiça ou por demora.

Sei a medida da dor, da alegria...
da fome e da emoção.

Estou assim... entre:
o "feijão e o sonho!
Ou o sonho e o feijão.

Sônia Anja

quinta-feira, dezembro 22, 2016

Amor é outra coisa II














Rebeldia
é dizer na cara,
é ser pedra rara,
no meio do areal.
         
Coragem
é "guentar" na marra,
é puxar a trava
no meio do irreal.

Paixão é querer agora
Devorar na hora
abraçar a brasa
mesmo sem demora

Amor é outra coisa
maior que ronda a gente.
Amor é dor maior,
mais funda
e mais doente.

Sônia anja

Freddy Krueger Nosso de cada dia.














Freddy Krueger Nosso de cada dia.

Paralisia do sono não é nada,
comparada com a paralisia da vigília.
é você na estante...
fazendo parte da mobília.

pesadelo não é nada...
a não ser quando atravessa a barreira...
e mostra sua carranca...
à luz do dia.
inteira.

e reconstrói o fantasma,
reestrutura as correntes,
que subjugam a guerreira.

Sonia Anja

Fingida




















Fingida
Atirar-se a cuspir poemas é complicado.
Minhas asneiras, todo mundo entende.
E quando tento pular do oitavo andar...
Some o mundo 
de repente...
Tem gente que dá risadas,
e outros que acham lindo,

Como o ilustre poeta:
Estou apenas fingindo.
*Sonia Anja

domingo, dezembro 04, 2016

Resistência

















Não sintonizo com este mistério de existir.
Atingir a paz?
Deitar o corpo cansado sobre todos os problemas...
como se fossem espinhos confortáveis.
Desistir do controle...ou pior do descontrole
Abdicar...
Percam-se motivos e objetivos.
cruzar os braços,
esperar...
esperar...
esperar...
Não é do meu feitio.... Capitular!

Sonia Anja 

segunda-feira, novembro 21, 2016

Galáxias de dor















Galáxias de dor

Tristeza!
Não uma tristeza qualquer,
mas um ajuntamento de tristezinhas...
Uma a uma... formam um continente.

Pranto!
Não um choramingar,
mas um acúmulo de lágrimas.
Juntas: Enchente.

Galáxia de dor!
Buraco negro onde precipitam-se planos.
Meteoro errante,
que transborda oceanos.

Hecatombe da alma:
mil bois... mil eras?
Nada que valha.

Aberto coração para que sangre...
a costura bruta do destino...
sobre a mortalha.

Sonia Anja

Empatia dói













Empatia dói

Empatia dói e é por isso que ninguém se atreve com facilidade.
Atravessando a tormenta da incompreensão, como agir?
Com que pedras? Que argumentos, atirar?

Desistir?
Capitular?

Se a sensibilidade despe o gigante.
Torna a montanha transparente...
teu ego desimportante
Se vês dentro do cruel a criança carente?
Suportas o rompante?

Capitular?

Fazer-se tapete para que a intolerância marche.
Para que a tempestade passe.
Para que cesse o pranto
E quando sempre o "Não é para tanto"
Mas que é tudo, Impera,
onde mora o amor
e não a
Fera!

Sonia Anja

Rasteira




















Rasteira

Eis que de novo se apresenta...
o velho conhecido:
Beco sem saída.

Novamente ao solo.
sem apoio,
sem guarida.

Sei que sou nada... sempre soube.
esta é a parte que coube...

Isto não surpreende...
quem escolheu a chuva para se molhar.

Apagar-se para que outro brilhe...
simplesmente por brilhar.

Sonia Anja

sábado, novembro 19, 2016

Escuro Adentro











Tem vez que o tempo pára...
Tem hora que é movimento..

Tem dias que se arrastam
e outros que passam lentos.

Memórias que se guarda a chaves...
e sonhos que se entrega ao vento..

Os séculos: Formais.
Os dias: Frugais.

moto contínuo!
contínuo e remoto!
O tempo.

Um dia vem o trem da morte...
e nos leva escuro adentro.

*Sonia Anja.

terça-feira, novembro 15, 2016

Amor de estória














Amor de estória

Um destes sentimentos,
que arranca árvores do chão...
como um tornado.. vendaval
Algo feito profecia...
meio tragédia, drama fatal

Vigília de mil noites em vão
bilhetes borrados de pranto
copos quebrados na parede
beijos e abraços no chão.

do sonho inatingível
Queria ter sido a ausência.
Aquela falta impossível...
A dor da anti presença.

Queria ter feito falta.
o espinho cravado na memória.
Queria ter sido um destes
amores de história.


*Sonia Anja.

domingo, novembro 13, 2016

Cortejo













Cortejo

Pareceram-me defuntos alegres,
como palhaços fora do contexto.
Assim como flores de plástico:
Beleza sem perfume.

Anjos de negro.
Floreios de estrume.

Volteios simplórios,
dançavam ao redor do nada.
Cães aguardavam restos...
Como se restos sobrassem.

Ah! se almas fossem almas...
e falassem!

Pareceram-me ingênuos.
contraditoriamente falsos .
Ensaio de riso: Esgares.
Morbidez de cinzas frias.

Mãos que seguram andores
e aplaudem tristes alegorias.

Sônia Anja

sábado, novembro 12, 2016

Valores em Extinção
















Valor raro feito vagalume,
aprisionado no copo,
para o prazer de admirar...

É um brilho que não brilha?
ou brilha por brilhar?

O respeito é andorinha,
que sozinha não faz verão.

Tu, passo,
eu pássaro,
eles passarão!

*Sônia Anja.