quinta-feira, novembro 16, 2017

Uva passa











Tudo passa.
O amor passa...
Ectoplasma... atravessa paredes e passa...

O trem passa.
A dor passa.
A paisagem passa.

O amor?
Passa.

Fantasma... atravessa paredes e some.

Não há o que se faça!

Sônia Anja

Anticlímax















Depois de um longo silêncio
mais silêncio.
E a certeza da incerteza.

Nem sempre a alegria que sinto...
é acompanhada.

Nem sempre a agonia que sinto...
é acalmada...

o silêncio me guia...
segue-me luz...

e eu...
apagada.

Sonia Anja

Susto














Cachoeira feroz,
que se lança ao abismo.
com a força e determinação
de um raio ...um sismo.

Carrega com
tudo pela frente...
e morre serena...
em um lago... 
frio e quente...

Remanso ameno e seguro,
que uns chamam amor puro...

E outros constatam somente:
Ou é paixão ou não se sente!

Sônia Anja

quarta-feira, setembro 27, 2017

Falar do amor













O que é o amor?
O que é amar?

cavar no concreto...
um buraco negro..
falar do amor...
que já não está.

peso de pedra...
plenura vazia...
inominável dor:
o espanto
e a apatia...

de quando o amor...
se veste de invisível.

impossível perceber...
no primeiro tropeço?
no primeiro tormento?
ou após vários e vários...
estranhamentos?

quando o eterno torna-se efêmero...
e nos resignamos a jogar no lixo,
como restos frios do prato...
o retrato, as juras...
as voltas...
o trato.

Sônia Anja

terça-feira, setembro 26, 2017

Abestalhável Mundo Novo


não falava de amor...
contava memórias...
falava do povo.

por motivo de força menor
declaro-me "morta"
zerada, exaurida, apagada
para este triste mundo novo

o cotidiano está a cada dia
mais podre... sintético...
mediano

aponta-me o caminho do silêncio
o canto do esquecimento.

belisco a alma e constato
foi-se o sentimento.

meu lugar é o limbo...
dos poetas sufocados...
meu lugar é no fogão,
a mediocridade...
e o pão

não adianta gritar cercada
de "aborígenes":
--nem só do pão
vive-se.

indignamente sobrevive-se.

meu destino cumpriu-se.
sou escadaria...
e nunca chegarei ao topo...
da sabedoria.

estes primatas com os quais reparto a "vida"
estão preocupados apenas em
"viver", comprar, comer, defecar e morrer.

vence o mais forte!
gastou-me a bateria.
e não quero "sobreviver"

Sônia Anja

Nada II


















Nada a esperar...
Sempre.

Nada para trás...
Frente.

Muro a separar...
Tudo.

Nada a declarar...
Mudo.

Como ignorar...
sei.

Tudo suportar...
(h)ei?


Sonia Anja

Viver é isto?














Driblar maus presságios e dor,
como quem passa correndo,
olhos fechados pelo quarto escuro...
Uma barata na parede.
o vulto atrás do muro
o monstro do porão.

Arrepio que dura relâmpagos de medo.
Evitar o terreno minado da "não solução"...

Recorrer a saída paliativa da débil convicção:
"o que não tem remédio... remediado está"
Simular amnésia...apagar vestígios de decepções.

Desprezar os mapas.
ignorar bússolas.
Singrar o mal das ilusões.

E quando esbarrar no beco sem saída,
enfrentar o desconhecido...destemida
Pisar firme sobre os espinhos que hão de vir...
E acima de tudo e por tudo... Sorrir!

Sonia Anja.

Tricô
















Despede-se da vida,
como quem abandona o tricô
e segue no automático.
como dócil e amável robô.

Despede-se do sonho,
como quem acabou de acordar,
lavar o rosto, sorrir para si...
Como quem brinca de representar.

Despede-se de si
como quem acena à vizinha...

(Cruzar a sala...
Rumo a cozinha.)

Dispõe sorrisos
afáveis sobre a mesa.
E serve o coração
de sobremesa.


*Sonia Anja

segunda-feira, setembro 25, 2017

Empatia















Nem tudo rosa e vinho.
Quer viver intensamente?
tente provar horrores,
ressacas e espinhos.

"pimenta nos olhos dos outros"...
como termina... você já sabe.
Quero ver trocar de pele,
sentir a dor não lhe cabe.
A dor é feia e existe.

Sonia Anja

Ávida


















Exijo a vida
(Não a vidinha havida),
normose imposta e adquirida...

(Sobretudo e não obstante) :)

Mereço a vida
(Não a vidinha havida)
contar a mesma história?
tocar na mesma ferida?

Não obrigada!

Prefiro aquela:
ou esta:
fora dos trilhos
e desenfreada.

Não importa se lá adiante
não haja nada...
não aja nada...

*Sônia Anja

Rastros














Com o fiar dos anos,
vamos tecendo atos.
E cometendo enganos:
Difíceis de consertar.

Com o correr dos trilhos...
vamos fazendo filhos.
Vamos ficando fartos.
Vamos deixando rastros.
Difíceis de apagar.

O andar fica mais lento.
E a vontade: nem tanta.
E já não é qualquer firula...
que nos encanta.

*Sônia Anja.

Alienígena














A língua estranha que falo...
não atinge:
nem arte,
nem gente,
não arde,
não sente..

A cada sim:
um não.
Cada conflito:
sem solução.
Se falo de flores:
morcegos.
Se falo coragem:
são medos.
Quando chego:
partes.
Quando parto:
natimorto.

Barco que vaga...
sem encontrar porto.

Sonia Anja .

terça-feira, junho 13, 2017

No final do Arco íris














Amor é duende.
está onde não se vê...
é por isto que nele...
muito pouco se crê


Amor é fim de arco íris...
pote de delicias que não se alcança...
e a delícia está em não alcançar...
se alcançar... enjoa... cansa


Buscar o amor é garimpar
peneira dos afetos
amor enquanto durar


pérola negra,
lenda,mistério.
coisa que não se descobre...
(Se acha!)
neste ou no outro hemisfério.


o amor não é cura
o amor é doente,
quanto mais a gente procura,
mais se esconde da gente


Sonia Anja

domingo, junho 04, 2017

De ataques e defesas (achadouro)
















Onda dentro me ronda.
fora vem, se demora.
sombra cresce, devora.
onda vem, vai embora.


Meu umbigo: teu,
teu umbigo: mundo,
sumidouro fundo,
achadouro céu,
Bebe todo o fel,
cospe todo o mel.
Se defende: Medo
Se ataca: Cedo
Bebo todo o fel,
cuspo todo o mel

*De ataques e defesas

Se ataca: Cedo
Se defende: Medo
Vertedouro ferve,
fervedouro-verve.
Meu tesouro arde.
Sede...Cedo ou tarde.
Onda dentro me ronda.
fora vem, se demora.
sombra cresce, devora.
onda vem, vai embora.
...
Bebo todo o fel,
cuspo todo o mel.

*de ataques e defesas

Sônia Anja


sexta-feira, junho 02, 2017

Jardim
















No jardim da imaginação...
tudo floresce na lucidez da contramão.

hábeis astrolábios?
longitude, altitude?
inábeis "regraduras"?
polidez ou atitude?


perdem a razão de ser
No terreno do desconhecido
todo o espaço atrai e é movediço...
então! é querer ou querer.


não há lei humana,
da física, da astrofísica.
quântica?semântica?.


que impeça o prazer do prazer.


Sônia Anja

segunda-feira, maio 29, 2017

Fogo de Artifício
















Tenho a manha de ser joguete,
foguete sem direção,
remoto auto controle,
...o doce que roubam da mão.

Sou barco à deriva,
ou navego na contramão
buscando sempre alturas,
c'a cara de encontro ao chão.

A sina de ser tão crente,
tão boba e tão tesão.
Aliso sonho inocente...
e surto só ilusão.

Sônia Anja  #editado

domingo, abril 23, 2017

Deja vu II















Respiro um ar emprestado...
sob as vestes que outrora...
vestiram alguns ideais.

saber de onde vieram?
até arrisco que sei!
pra onde vão... não mais.

persigo rastros já gastos...
que levam a lugar algum.
aguarda-me destino?
nenhum.

repetir de gestos,
repisar de fatos,
peso sobre ombros,

incessante exercício:
vagar entre escombros.
na dor recorrente insisto:
erguer-me após os tombos.

Até sempre?
Até quando?


Sônia Anja

sábado, abril 22, 2017

Lenitivus Atrozis (Dia do Não) - Musicado











Misto de Mary Poppins com Raul Seixas...
dentro e fora da minha cabeça.
Uma espécie de Tim Maia, que talvez compareça.

Preciso cravar minha alma no olho da Terra.
Antes... Antes... O quanto antes...
que apodreça.

Não nasci há mil anos atrás, mas vejo cristos...
serem crucificados todos os dias.
Brigam dentro de mim Malévolas...
e alices do país das Maravilhas.

Ainda não mordo, nem espumo,
mas sou do contra... Sou do Não.

Não à hipocrisia...Não à covardia...
Não à auto-escravidão.
Hoje é meu dia da Rebeldia.
Hoje é meu dia do Não.

Sônia Anja

domingo, março 26, 2017

Periférica


Custa-me manter o foco,
pois minha visão de tudo...
é naturalmente desfocada,
abrangente.

e o que complica é isto...
de ser anjo,demônio,
poeta e gente.

maldita visão periférica...
que nada deixa passar.
peneira que sou no garimpo
da arte do ser e estar.

enquanto a mente sente.
o corpo cansado mente.
a chama de estar presente...
e *minh'alma a dar... a dar*

qual notas de um fado ausente
guitarras de além mar.


Sônia Anja

Fora do Jogo





Sou o dado...
não sou o jogo.


soldado...
de chumbo ao fogo.


pra lá e pra cá
jogado.


um zero
e adulterado.


sou rei e me
chamo povo.


Sonia Anja

Gira... Girou









Se até a pomba gira,
"gira sol" e gira mundo.
Tudo gira nessa vida...
Tudo muda num segundo...


Devagar se vai ao topo...
e ligeiro vai-se ao fundo.


De rodar: "rodamoinho".
De girar: roda gigante.
Falta'braço no(t) carinho...
Cabe o mundo no instante.


De sonhar se ganha o mundo.
De pensar se perde a chance.


Sonia Anja.

Turbilhão














Injusto!
ter uma só vida,
quando mil vidas seriam insuficientes.


Absurdo!
Lamber uma só ferida,
entre mil chagas incandescentes.


Calar...
quando a alma canta.


Morder a língua...
entre muda e tonta.


Estremecer,,,
estátua na estação...
enquanto o trem da vida passa...
e arranca os trilhos do chão.


Sonia Anja

terça-feira, março 21, 2017

Frágil Certeza
















Nada de espernear ante o destino...
Esse menino arteiro.

Esconda-se no castelo de cartas...
Refúgio derradeiro.

Frágil certeza!

Vira-se mundos e fundos...
e no final é somente...
o cumprir da Natureza.


Sonia Anja

quinta-feira, março 16, 2017

Foto Agonia
















Onda que não retorna...
Onda que não se quebra...
Noite que se faz dia.


Flor que o peito adorna...
uma alegria morna...
pose sem alforria.


Luz capturada...
em imóvel agonia.


qual nubente dúvida
flagrada pelo altar
o sim que não diria


Milimetricamente exprime...
o exato momento do crime...
Sorrir quando não queria...

Auto Sabotagem




















Confecciona-se auto-armadilhas como se fossem cestos...
Trançados de escolhas erradas, mais que acertos.

Emaranhado de passos a nenhum lugar...
Implícito que se marche...
Marchar!

Nas costas, a carga inútil da faina:
tecer com fios de insensatez,
o vício de acertar.


Sônia Anja.

quarta-feira, março 15, 2017

Porto Inseguro




Quero o porto inseguro.
Não tenho mais medo do escuro.
Não tenho mais medo de mim....

Quero casulo de risos...
quero explodir o abrigo
Quero o caminho sem fim.

Ignorar o inimigo.
Rir na cara do perigo.
Não digo mais não...
Digo sim.

Sônia Anja

Caixinha de surpresas















Aprendi a engraxar sapatos...
na caixinha torta de madeira..
samba .. na flanelinha.
alma na brincadeira.

Brinquei
de Cowboy e de menina.
Aprendi a ler e escrever...
sozinha.

Campeã de cinco marias,
quase me fui com ciganos,
tinha aulas de karl marx,
e mal tinha nove anos.

Não podia andar descalça,
nem pegar vento encanado,
mas fugia e via o circo...
e aos onze: Namorado.

Nunca usei relógio,
mas jamais perdi a hora...
pois a hora eu mesma faço
por preguiça ou por demora.

Sei a medida da dor, da alegria...
da fome e da emoção.

Estou assim... entre:
o "feijão e o sonho!
Ou o sonho e o feijão.

Sônia Anja

quinta-feira, dezembro 22, 2016

Amor é outra coisa II














Rebeldia
é dizer na cara,
é ser pedra rara,
no meio do areal.
         
Coragem
é "guentar" na marra,
é puxar a trava
no meio do irreal.

Paixão é querer agora
Devorar na hora
abraçar a brasa
mesmo sem demora

Amor é outra coisa
maior que ronda a gente.
Amor é dor maior,
mais funda
e mais doente.

Sônia anja

Freddy Krueger Nosso de cada dia.














Freddy Krueger Nosso de cada dia.

Paralisia do sono não é nada,
comparada com a paralisia da vigília.
é você na estante...
fazendo parte da mobília.

pesadelo não é nada...
a não ser quando atravessa a barreira...
e mostra sua carranca...
à luz do dia.
inteira.

e reconstrói o fantasma,
reestrutura as correntes,
que subjugam a guerreira.

Sonia Anja

Fingida




















Fingida
Atirar-se a cuspir poemas é complicado.
Minhas asneiras, todo mundo entende.
E quando tento pular do oitavo andar...
Some o mundo 
de repente...
Tem gente que dá risadas,
e outros que acham lindo,

Como o ilustre poeta:
Estou apenas fingindo.
*Sonia Anja

domingo, dezembro 04, 2016

Resistência

















Não sintonizo com este mistério de existir.
Atingir a paz?
Deitar o corpo cansado sobre todos os problemas...
como se fossem espinhos confortáveis.
Desistir do controle...ou pior do descontrole
Abdicar...
Percam-se motivos e objetivos.
cruzar os braços,
esperar...
esperar...
esperar...
Não é do meu feitio.... Capitular!

Sonia Anja 

segunda-feira, novembro 21, 2016

Galáxias de dor















Galáxias de dor

Tristeza!
Não uma tristeza qualquer,
mas um ajuntamento de tristezinhas...
Uma a uma... formam um continente.

Pranto!
Não um choramingar,
mas um acúmulo de lágrimas.
Juntas: Enchente.

Galáxia de dor!
Buraco negro onde precipitam-se planos.
Meteoro errante,
que transborda oceanos.

Hecatombe da alma:
mil bois... mil eras?
Nada que valha.

Aberto coração para que sangre...
a costura bruta do destino...
sobre a mortalha.

Sonia Anja

Empatia dói













Empatia dói

Empatia dói e é por isso que ninguém se atreve com facilidade.
Atravessando a tormenta da incompreensão, como agir?
Com que pedras? Que argumentos, atirar?

Desistir?
Capitular?

Se a sensibilidade despe o gigante.
Torna a montanha transparente...
teu ego desimportante
Se vês dentro do cruel a criança carente?
Suportas o rompante?

Capitular?

Fazer-se tapete para que a intolerância marche.
Para que a tempestade passe.
Para que cesse o pranto
E quando sempre o "Não é para tanto"
Mas que é tudo, Impera,
onde mora o amor
e não a
Fera!

Sonia Anja

Rasteira




















Rasteira

Eis que de novo se apresenta...
o velho conhecido:
Beco sem saída.

Novamente ao solo.
sem apoio,
sem guarida.

Sei que sou nada... sempre soube.
esta é a parte que coube...

Isto não surpreende...
quem escolheu a chuva para se molhar.

Apagar-se para que outro brilhe...
simplesmente por brilhar.

Sonia Anja

sábado, novembro 19, 2016

Escuro Adentro











Tem vez que o tempo pára...
Tem hora que é movimento..

Tem dias que se arrastam
e outros que passam lentos.

Memórias que se guarda a chaves...
e sonhos que se entrega ao vento..

Os séculos: Formais.
Os dias: Frugais.

moto contínuo!
contínuo e remoto!
O tempo.

Um dia vem o trem da morte...
e nos leva escuro adentro.

*Sonia Anja.

terça-feira, novembro 15, 2016

Amor de estória














Amor de estória

Um destes sentimentos,
que arranca árvores do chão...
como um tornado.. vendaval
Algo feito profecia...
meio tragédia, drama fatal

Vigília de mil noites em vão
bilhetes borrados de pranto
copos quebrados na parede
beijos e abraços no chão.

do sonho inatingível
Queria ter sido a ausência.
Aquela falta impossível...
A dor da anti presença.

Queria ter feito falta.
o espinho cravado na memória.
Queria ter sido um destes
amores de história.


*Sonia Anja.

domingo, novembro 13, 2016

Cortejo













Cortejo

Pareceram-me defuntos alegres,
como palhaços fora do contexto.
Assim como flores de plástico:
Beleza sem perfume.

Anjos de negro.
Floreios de estrume.

Volteios simplórios,
dançavam ao redor do nada.
Cães aguardavam restos...
Como se restos sobrassem.

Ah! se almas fossem almas...
e falassem!

Pareceram-me ingênuos.
contraditoriamente falsos .
Ensaio de riso: Esgares.
Morbidez de cinzas frias.

Mãos que seguram andores
e aplaudem tristes alegorias.

Sônia Anja

sábado, novembro 12, 2016

Valores em Extinção
















Valor raro feito vagalume,
aprisionado no copo,
para o prazer de admirar...

É um brilho que não brilha?
ou brilha por brilhar?

O respeito é andorinha,
que sozinha não faz verão.

Tu, passo,
eu pássaro,
eles passarão!

*Sônia Anja.

Incompleta















Incompleta

aprendiz que sou de mim.
nunca estarei completa.
e prefiro.

o completo parece o fim.
nunca fui de metas...
elas aparecem e mudam...
prefiro.

estar certa,
estar errada,
aprender,
desaprender,
acertar,
cair...
e levantar.
até o ultimo
suspiro...

prefiro.

Sonia Anja

Dioutro mundo

.


















Dioutro mundo

Vivo na lua-satélite,
que míngua e fica cheia...
e logo novinha em folha...
ou nubla e some... feia.
.
Quando desço à Terra...
Sou lunática e Pessoa.
falo a língua estranha...
que só a mim soa.

Tudo o que não me interessa...
a todos muito interessa.
e olham-me daquela maneira,
de quem vê alguém de outro mundo.
Claro! No outro mundo...
tudo é asneira.

Converso comigo mesma...
entramos no velho acordo:
eu finjo que estou viva...
e o mundo finge de morto.

volto a cratera da lua...
gero loucos poemas...
que um dia serão chuva...
e choverão sobre terra.

talvez aí no futuro...
que só o tempo encerra,
o outro mundo será outro...
e o meu mundo será morto...

mas aí... será outra era!

Sonia Anja

quinta-feira, novembro 10, 2016

Loop Infinito













O exercício cansativo:
perseguir a vontade,
a graça, o motivo.
acordar...
dar mais um passo...
cada vez mais pesado

ir ao céu mil vezes...
encontra-lo fechado.

Sonia Anja

quarta-feira, novembro 09, 2016

Vago Lume













O mais difícil:
Olhar-se sem crítica...
ou pudor.
Perscrutar os abismos...
do interior.

Descobrir-se
frágil...
Querendo-se
fera.

Descobrir-se
grão...
Sonhando-se
gigante.

Perceber-se
fábula-
andante.

vago lume
sopro...
Instante.

Sonia Anja

Sol da Meia Noite
















Qual um beija flor,
um sorriso inesperado pousou-me nos lábios...
uma brisa desavisada soprou os meus cabelos...
e abrindo a janela em plena noite...
o sol me sorriu...

foi o sorriso mais bonito,
que alguém já sonhou,
mas não viu.

*Sonia Anja

Duendes e Ratos









Duendes e fadas...
Ratos e baratas...
Sabem bem onde vão...
Humanos... Patéticos...
Pensam que sabem,
mas não...

Fadas e duendes...
baratas e ratos...
sabem bem o que são.
Humanos Patéticos...
pensam que sabem...
o que sabem,
mas não.

gente se mata na partida de futebol,
pó de pirlimpimpim? só na Terra do ontem.
até príncipe vai na festa vestido de nu,
do pó que caiu da nave... ninguém sabe?
nem eu, nem eles, nem tu.

humanos brigam pela partilha no tribunal
Príncipes e princesas, acabam juntos no final...
e o cavalo branco? que sempre há...
Que fim leva, o animal?

Sonia Anja  :)

terça-feira, novembro 08, 2016

Jade










Jade.

A íris reflete o brilho...
do que se tem por dentro,
do que se vê à frente,
do que se lê na mente.

Diz a lenda urbana:
olhos azuis são puros,
castanhos são meigos,
e verdes traiçoeiros.

Pobres olhos verdes!
Nublados de lágrimas...
Ficam mais verdes,
mais verdadeiros,

mais esmeralda,
menos di'amantes.
mais humanos
menos errantes.

Se houvessem olhos de ouro,
não seria por muito tempo...
Haveriam mulheres sem olhos...
e seus olhos dentro do templo.

Sonia Anja

Olhos brazis


















Olhos brazis

observo o grande Pai...
com olhos "brazis".
Minha língua mais jovem...
afronta seus grande feitos.

não posso culpar-lhes..
a fantasia!
no brazil com"z":
somente bundas...
e peitos.

meu sangue vem da "colônia".
corre-me nas veias...
sangue branco, amarelo, preto...
nenhum sangue azul,

cérebro, alma
e coisa universal.
ser humano é o que é...
ou falta-lhe ou sobra-lhe
"sal"

*Sonia Anja.

segunda-feira, novembro 07, 2016

Ficção




















Ficção

Eis que se aproxima o "apokalípso"
meu ceticismo crônico ignora...
tudo como dantes... não obstante...
contudo... por hora.

 "ex-geleira eterna" derrete-se...
inunda europas, áfricas
chiles. brasis...sudão...
pinguins e ursos brancos migram...
Ianques? Iankes, não.

tomaram a eles o duvidoso "dever":
"salvar a civilização".
é assim e sempre será...
nos livros,
nos filmes,
na vida,
na politica,
na "ficção".

Sônia Anja

Wi fi



















Wi fi

Maomé não vai à montanha...
a montanha não vai a Maomé...
e segue o impasse.

Quem tem boca não vai mais à Roma,
prefere o caminho de Santiago,
mas de condução e...
frigobar.

De grão em grão...
a galinha enche o papo,
mas demora...
a engordar.

Gandhi desvirou lenda...
Não é mais por Mandela,
que o povo chora;

Reivindica-se qualquer coisa...
e ha qualquer hora

O indispensável não é a paz..
Não! Não é mais...
Indispensável...
é a senha do wi fi.

Sonia Anja.

Dulcinéia High Tech














Dulcinéia High Tech

Meus moinhos são mais altos...
e os alcanço sem montaria..
escalo montanhas...
ou desço aos campos.
à mão?
nem rocinante,
nem santos.

Meus moinhos são urgentes e velozes...
e os vales extensos...que atravesso...
confesso...
padrinhos e algozes.

Nem Quixotes enfrentariam...
Meus moinhos? Nem Cervantes,
Dulcinéia sem abrigo.
sem cavaleiros andantes.


*Sonia Anja

Sala com lareira














Solidão é sala,
decorada com o querer
pode sangrar...
pode arder...

mas...
também pode ser aconchego...
da alma livre do medo...
que no silêncio...
mergulha em si...
e se basta.


*Sonia Anja.