Sábado, Fevereiro 14, 2009

Entre azuis

Crosta
pequena esfera
imperfeita

sal oceano

primitivo
e liquido
humano

Verdes solos
boiando em azul
revolto.

Bólido-líquido
solto.

Rolando na órbita-linha do destino
quando o universo era assim:
Tão pequenino.

Viagem

Prateado peixe
coruscante...
Abençoado peixe
viajante.

Livre em água
alvorecer.

Cumprir sina lancinante
na ponta do anzol
morrer.

Vale todo o perigo...
Vale todo o castigo...
Viver.

Viver enquanto brilho,
enquanto prata.
Entre azul e azul
estremecer.
A Profecia
Quando a lua entrou na sétima casa
e jupiter alinhou-se com marte,
encontrou-me frente ao oceano
com os pés enterrados na areia
e a alma em outro plano.

Enfim Era de Aquarius...
Aquametafórica dimensão...
Olhar livre no horizonte.
Visões de libertação.

Quinta-feira, Setembro 25, 2008

E de repente o Céu

Força invisível.
Água silenciosa.
Gota a gota se agrupa
e sobe!

Força indizível
das profundezas.
Jorrando te empurra
e vais.

Nirvana!
Topo
e além
mais.

Nuvens,
meteoritos,
ar rarefeito.

Planas
cercada de estrelas.
Vácuo perfeito.

Frui
raro sabor.
O poder sobre si
e tudo.

E não mais a dor...
O saber sobre ti...
O nada.

Do nada
provem a glória
imensa.

A luz
encantada...

Absoluta
plenura de paz.

Intensa.
Des-
integrada!

Sábado, Setembro 13, 2008

Ego & Onde

Ego
engole
espaços
em ânsias
como um revoltado
pack man.

Tudo
é jogo.
Campeonato
de importâncias.
Um rolar de dados
também.

A voz bate e volta...
O eco se perde.

Olhar de revolta
e lingua que fere.

É um tempo de falar
ao umbigo
e às paredes.

E então...

Saudades de quando
era saltar
sem redes,

nem proteção.

É um tempo de polidez.
De uma polidez tão fria
que congela.

É como sentir-se
no infinito deserto,
numa cela.

A proximidade convida...
A caridade se enconde.

Você que tem um segredo
e uma dor tão grande
pensa:
Correr pra onde?

Terça-feira, Setembro 09, 2008

De um tempo que não volta mais

Tempo...
Trás de volta,
sabor de maresia,
colher conchinhas n'areia
e nem sonhar poesia.

Que aquilo era
ser feliz
e eu não sabia.


Tempo...
Trás de volta
o dom de não saber,
ter o mundo nas mãos
e não ver.

Que hoje vejo demais
e saber demais
é sofrer.


***************************************************************

Quero
revoada,
passarinho,
peixo frito,
beira mar,
redemoinho,

Que agora
é só andar em volta
sozinho.

Aula de anzol e linha
ou rede pequenina,
onde a pequena brinca
e onde o pai anima...

Brinca de ensinar
sereia menina.

Do conto de tartaruga:
tamanho de um botão,
que um dia em sua mão
foi presente de noivado,
de noivo apaixonado,
que no poço se perdeu
e num dia encantado
quando menos esperado,
o presente apareceu.

Quero voltar a terra
donde brotava o sustento
regado de muito suor,
que mesmo de mal a pior,
a noite trazia o alento,
à luz de um candieiro.
A lua luzindo um luzeiro,
um grilo aqui e acolá,
a gaita de boca campeira,
cantiga do campo faceira
e contos de boitatá.

Terça-feira, Setembro 02, 2008

Recado

Mando missiva
de aquém mar.

Garrafa-nau...
Papel dentro...

Enfrentando
chuva e vento.

Vai um beijo te
entregar.

Repares se algum
pombo,
disfarçado sabiá,
pousar na tua janela,
bico aberto,
"assovià"

Repares que leva
ao peito,
aquecido entre
as penas,
afago beijo
sem jeito
de quem
do horizonte
acena.

Recado que
estou triste.
Pés frios
na orla da onda...

Com mesmo
olhar que tu viste.
Sorriso
de Gioconda.

Que nem é riso
é esgar
de quem
perdida na praia
manda a alma
navegar.

Terça-feira, Agosto 19, 2008

Capitu

Boba,
tola,
submissa.
Bole,
foge
e atiça.

Olhos de capitu.
Voz de clarissa

Jogue-a na parede.
Chame-a de lagartixa.

Tansa,
lesa,
obsoleta.
Lisa,
mansa,
espoleta.

Olhos de Capitu.
Morte-julieta.

Abra-a, feche-a,
chame-a de gaveta.

Saudade

Saudade?
É Sherazade
que conta histórias.
Relê memórias.
Revive glórias.
Bisa vitórias
É Sherazade
Dona Saudade!

Não tem um preço.
Não tem idade,
nem endereço,

Bate no peito.
E não tem jeito.
É choro e riso.
É dito e feito.

Quarta-feira, Agosto 13, 2008

Que assim seja

Que assim seja.
Que seja assim.
Que longe sejas
dentro de mim.

Sejamos breves,
desapegados.
Partamos leves,
des-namorados.

Todo amor é distãncia
quando chega ao fim.

Que seja assim.
Que assim seja.
Partas de mim
com nobreza.

Partamos...
Sejamos...

Todo o fim é recomeço
quando o amor perde
a beleza.

Segunda-feira, Agosto 04, 2008

Quem vai querer?

Quem vai ouvir?
o grilo cantando
o lobo uivando
pra lua dormir?

Quem vai cantar?
seresta de gala
prum circulo opala
no Céu a boiar.

Quem se habilita?
fazer serenata
pra lua de prata
tão cheia bonita.

quem vai querer?
vagar pela noite
olhando pra ela
fazendo esparrela
quem vai querer?


quem vai quererr?
tem rima certinha
saida do forno
crocante quentinha

que vai levar?
um beijo um afago
um doce uma prenda
um dengo que trago?

Venha ver
que é de graça
coreto na praça
um anjo cantando
fazendo pirraça!

Quem vai sentirrr?
o baque do gozo
que é a gente criando
e sorrindo gostosoooo!

Quinta-feira, Julho 31, 2008

Vã Senhora

A Razão esta Senhora
de modos tão comedidos,
segue-me os passos
fazendo pedidos.

Que pare e que pense.
Que não ponha os pés pelas mãos.
Que meça! Que pese!
Que me perca em conclusões.

Cala- te! Sossega Senhora!
Puxe um banco ou vá embora.
Que sou criança hiperativa,
de alma cega e sensitiva.
Só sei do fogo a queimadura.
Só sei do ferro a cicatriz.
Sou do sonho cavalgadura
Sou de viver por um triz.

Canção

E de lá se via o mar,
depois dele o horizonte
e depois a imensidão.

Ficaram só olhando
de falar não precisando.
Nem carecia não.

A poesia que havia neles
foi saindo de mansinho,
subindo devagarinho...
Amanhecer virou canção.

Segunda-feira, Junho 30, 2008

Eu já! E você?

Fui convidada por Helio Jenne, para este Meme.

Moleza para mim, uma criatura tarimbada em micos...

Entonces:


Eu já...

-Liguei para casa e o ladrão atendeu. Pior que pensei que era engano e depois vi no celular
que era mesmo o número de minha casa que mais tarde encontraria arrombada

-Chamei a mãe da minha melhor amiga de Merda, sem querer. Juro!
É que estava de papo com ela no telefone, e sabia que sua mãe estava doente. Um lance lá dos intestinos. Não "ia aos pés" de jeito maneira.
Então, a amiga disse: “Hoje o trampo está uma Merda.
E eu tonta, desmesurada das idéias lasquei essa:
“ E por falar em merda. Como vai a tua Mãe?”

-Dei um tombo (sem querer) em um velhinho de muletas, por causa de uma mamangava que surgiu de repente.

-Pulei de um ônibus lotado em movimento para acudir uma velhinha, mas velhinha mesmo, que tinha caído e se estatelado no chão... E o mico foi o seguinte:
No que me aproximei, a velha deu um salto, correu, inda alcançou o ônibus e eu fiquei para trás com cara de” AH! É! É? E... Droga! Estava atrasada.

-Dei um banho de bebedouro num desconhecido, que não gostou nada, nada.
Num banco lotado, uma sede dos infernos, num dia gelado de inverno, aperto o lance aquele do bebedouro e um jato geladinho "A cosa más linda" foi direitinho no cangote do moço de costas na fila, entrou e foi descendo pela sua espinha dorsal.
Cruzes! Quase mato o vivente, que teve um “quê de colapso cardíaco” Xingou-me, mas quando viu que o Banco inteiro ria, inclusive eu, que sou uma palhaça, caiu na risada também.
Desta, escapei por pouco.

E tem mais:
Eu já...
-Dei os parabéns para a mãe do defunto, num velório. Sem comentários.

-Ofereci um sanduba caprichado para o ladrão pigmeu que entrou em casa pela janela basculante e quando foi surpreendido queixou-se que tinha fome e frio.

Mas o must dos musts foi isto:

Acordamos de madrugada sob forte tiroteio.
Sim! E pelo barulho, era uma guerra de gangue, das feias.
Como moro a duas quadras de uma favela. Tudo era possível.
--Biel! Tiro!
Rolou o plano A, freqüentemente utilizado. Nos atiramos sincronizados ao chão, nos arrastando tomamos o corredor. Cena de filme de guerra saca.
Daí farejei o ar.
--Hum! Isso cheira a incêndio com tiroteio. Algo não "bina".
Fui até a porta da frente, abri para saber o que era.
No meio do gramado tive a confirmação: Sim, a oficina ali perto estava em chamas e o tiroteio devia ser alguma arma que estava lá e explodiu.

Gabriel gritava da porta.
--Entra mãe! Desesperado.

Um povo na esquina, oriundo do posto de saúde ali perto (pessoal dorme na fila) olhava pra mim ao invés de olhar na direção do fogo.

Daí Gabriel gritou:
--Mãe entra! Tu tá só de calcinhas.

Bah! Que mico.

Segunda-feira, Junho 16, 2008


Tenho um silêncio
roendo o oco da mente.

Impaciente.
Rugindo loucamente.

É que...

Dizer por dizer não me atrai
e o que não digo me trai,
transparente.

Palavrório represado.
Sentimento escoado.
Dormente.

Tenho um alarido.
Bater de asas sofrido
no vazio da alma.

É que...
Perdi a calma...


Perdi a órbita.
Perdi o rumo.
Perdi o centro.

E o que tenho
é só silêncio
aqui dentro.

Ausência


eu de todo: vício
chão e ausência

e no meu suplício
abstnência

nem de todo desejo
direi verão
nem de tua imagem
tesão
mais que tudo isto
miragem
alem de todo hausto
paixão.

Sábado, Junho 14, 2008

quer brincar


Ache outros vídeos como este em Clube Caiubi de Compositores

Terça-feira, Junho 03, 2008

IMEDIATISMO

IMEDIATISMO
ONIPRESENTE
IMPOSTO

MODISMO
URGENTE
GOSTO

O BOM
DA HORA
O TOM
AGORA

ADORMECE
ENTORPECE

E O QUE ERA PURO
APODRECE

:(

Quinta-feira, Fevereiro 28, 2008

Estátua

A música estanca.

Estátua!

Hirta, parada e nua.
Sinta o formigueiro
que sobe a virilha tua,
e te tomam o bico do seio
duas ilhas.de prazer
e fogo no meio.

Estátua!

Não resista!
A lingua em chama
que te explora o ouvido,
enquanto a boca
entreaberta,
em suspenso gemido,
retem a vaga.
Nenhum movimento!
Nada!

Imóvel!

Represa a onda
em ciclo profundo.
Que revolve o
teu dentro,
bem fundo
e pára!

Qual foto
de onda que vai
se quebrar na praia
e congela o momento...
Tara!

Que a melodia recomeça

Exploda!
Maleável e agil
modelável
e tactil
Deixe quebrar a onda
e sorva e enrede,
e leve consigo.
no redemoinho
fervilhante,
o objeto
de teu prazer
amante.

O Peixe I

peixe
em terra
anseio
encerra
agonizando
em areia
quente
e sente
isca
numa teia

saber
sugado
ar
em guelras
vencido

prazer
toldado
vencido
em guerra
interna

como se nu
estivesse
numa arena

e ninguem lhe
visse....
Pena!

O Peixe II

o peixe
fora dágua
encerra
toda mágoa
do manancial
que vazou

gota
a gota
do amor que deu
e acabou.
Ziro a Esquerda

Aqui digo
oque quero
e o que não quero

noves fora
sobra zero
aprendiz

e o que sou e prezo
um zero
a esquerda
e feliz


****************************
Pedra

priva
cidade
de pedra
sabão

amal
gamada
pedra
coração

priva-
se de um nó(s)
para eu (c)er
teira
mente
pedra
gemente
eco
na imensidão

***************************

A maré

eu
l(ego)
l(id)a
construir

tu
cego
vida
insentir

lá fora
a mar é
fluir

cá dentro
a mar é
fugir


(r) onda
eterno ir e vir


**************************



"os olhos requerem olhos
e os corações corações"

Deserto

a pele
implora
plena
planura
e pena
deserto
aberto
incerto
acena
a alma
agita
aflita
o branco
trégua
exausta
de azul
de légua
e meia
e nada
em franco
oásis
água.

**********************


Diadora

fala
da boca pra fora
e dentro arde
pois é diadora
e diadora
não chora
nem ri
e sim
Adora!

*****************
Pedaço

Faço
que faço
assim
e no entanto
desfaço
encanto
pedaço
de mim
farto
e convidativo
fechado
privativo
enfim

Quarta-feira, Fevereiro 13, 2008

Quer Brincar? virou música

O cantor, músico Pedro Moreno, fez uma melodia para meu poema.
E ficou linda!

Ele cantou num Show em Madri, dia 11/02, se quiser ouvir esta e outras musicas dele
vá no link, e clique em Pedro Moreno/Atuações. (a minha é a 7ª música)

http://www.buhoreal.tv/

Terça-feira, Janeiro 22, 2008

Flor Tuareg

como se flor fosse.
botão entreabrido
no alvorecer

bebia a gota doce
orvalho sentido
a escorrer.

amanhecendo rosa
desabrochada
de prazer

Palavras

São palavras livrinhas.
Como asas de poetisa,
que não voam sozinhas,
sem o sopro que energiza.

Leitura incerta, inconstante,
mas vez ou outra presentes.
Não são livro de estante.
Escandalosas, sorridentes.

Da métrica só medem
o tamanho do carinho
do retorno do sorriso
que não brilha sózinho.

Translação

Eu trinco esperas,
brinco com feras,
minto quimeras,
sinto deveras.

Contigo conjugaria:
O rir e o chorar,
o ir e o voltar
Nunca partiria.

Pudera!

Doida alegria,
doída agonia:
A volta que o Sol
dá na Terra.

sim sei que o que dá a volta é a Terra..mas pra mim nada é impossivel.

Breu II

A escuridão não existe?
Exista!

Um passo além do brilho.
Exita?

De luz a Total Ausência
onde a própria não alcança.
Nada!

Matéria não existente
clamando Ser em ânsia
calada.

Espanto em luz lhe farte.
De fogo em luz,
lhe acenda.

Enquanto breu: Não arde,
nem bem reluz
em prenda.

Ab Sinto

Verde gole
eu te sinto.
tu me bole
e não minto.

tu me usa
verde musa.
verde dose.
hipnose!
meoverdose.
trimedusa.
pronde olho
tu se move?

verte dose,
ab sinto,
simbiose,
labirinto.

tu me toma,
eu te bebo.
tu me suga,
eu derreto.
meabduza
e eu prometo:
pronde ires
eu te sigo.

Sexta-feira, Dezembro 14, 2007

Avesso

Nem que me vire do avesso
nem de joelhos mil terços
eu me encontrarei

nem que me pinte de carmim
cilios longos scarpins
me transformarei

estou por aí em pedaços
diminutos fragmentos
que sorriem

estoy por aí aos pecados
irresolutos sentimentos
que deprimem

a mulher dentro dela mesma
vê em si
uma criança
estúpida
que lhe sorri

Sobre (a) Mesa

O pecado
tempera
o prato paradisíaco.

A maçã:
o toque,
retrato afrodisíaco.

Choro riso,
de sorver
devagarinho.

Beber desejo.
O corpo teso.

E o guardanapo...
Branquinho.

Ruge

(Manhã):

Rude

o silêncio arde.

Ruge:

desejo-carne,

rude.

Em círculos

se abre,

fulge.

Num ponto resume-se...

(Tarde).

O Número

Ontem teve espetáculo.
No centro do palco....a pizza colorida.
Tinir de copos, festa, desenhos de cachup.

Silêncio. Rufar de tambores.
Número mais assombroso que as motos e o leão.

O queijo derrete mas não se parte e o guri é esganado.
Esquece conselhos de mãe doida:
--Corta pequeno.
--Saboreia um pedaço de cada vez, devagar.
Nunca ouve.

Engasga.
A Tia desmaia.

A mãe prestidigitadora faz o numero:
Enfia os dedos na garganta do menino e puxa, e puxa não um lenço infinito mas uma corda de queijo sem fim.

Ufa! Que susto.

Guri de olhos esbugalhados toma fôlego.
Suspense!

__Mãe! Mais um de calabresa!

tsc tsc tsc

Sim

O objeto do desejo
a ignora ou faz que....

E abjeto o peso
do que adora mais que....

ordena e dobra-lhe os joelhos
e curva-lhe a vontade

por mais que cuspa artelhos
e soque a verdade

a boca se abre
enfim

num beijo que é e foi

sim, sim!

Sexta-feira, Novembro 30, 2007

Blogs de Elite


O meu querido amigo Helio Um Lobo na Estrada do Rock ( que me deve um meme huahuahua brincadeirinha) indicou o meu blog para o prêmio Blog de Elite, relativo ao meme idealizado pelo blog Putsgrilo.com.

O meme funciona da seguinte maneira: como ganhei o selo, devo passá-lo a cinco blogs que considero "de elite" e justificar as minhas escolhas. O meme vai até 31 de dezembro e o melhor blog ganha um prêmio de "1 Puts!Vale" no valor de R$ 50,00 para você divulgar seu blog no Google Adwords.

As regras do meme podem ser lidas AQUI.

A Helio justificou assim a sua escolha : " Anja Caramuja - Poemas da Anja, que nos passam emoções diversas. Muito bom."

Meus 5 indicados são:

- Inês :: VIDA:: O blog que contém um pouco de cada e um pouco de tudo! E ::VIDA:: continua, companheira da vida blogueira desde março de 2002,

- Tânia: Antenados Sempre: Onde busco coisas que gosto e/ou informações que acho importantes.


- Adiron: Mens Insana in cor sano: Um blog para os momentos em que a vida precisa ser menos cartesiana ou , em bom latim : " Cor, vox, dens, frons, ren, splen, pes, lux sunt tibi; deest mens".


- Ilton: Nau Catarineta: Porque Navegar é preciso.



- Géh: Blog do Géh: Onde vemos arte e criatividade.



Terça-feira, Novembro 27, 2007

Carnaval



su-aste

à luz da lua
ao som de aleg(o)ria.

o beijo
pura firula
fazia parte da fantasia.


Madrugada

Cheguei tarde.
Perdi a senha.

Resta-me agora
procurar lenha.

Fazer o fogo,
que é findo o jogo.

Cevar o mate
com erva boa.

Não qualquer erva
e nem a toa.

Chaleira e cuia
engalanada.

Diz no pacote:
é "Madrugada"

Quinta-feira, Novembro 08, 2007

Party in Hell

Pândega me acabo.
caço entrelinhas.
Lúdica.

Cócegas no diabo
faço..E me rio.
"In-púdica".

Sendo anjo e sonho.
Brilhante envolto,
sobre(a)mesa.

Brinco com o demônio.
Um gigante e solto.
Incólume, ilesa.

Sou da luz
e do riso,
mas as trevas visito.

Pois é tão pouco,
convidante e louco
o infinito.

Sexta-feira, Novembro 02, 2007

Mães Onipotentus Sabitudus

At eternus dilematórium.
Carece antibióticus,
dá antinflamatóriuns.

Et médicus deusus.
Farmacêuticus deliriuns.
Mães desesperatus.
Filhos moribundus

longus feriadus
consultóriuns
fechadus.

Amigdaliticus est
antifebrilis versus
placas d' lesteaoeste
friosuoresubmersus.

Resta o Rosáriuns.
Oraris em fé,
profunduns.


agora já posso rir, filho medicado e bem melhor.
:))

Quinta-feira, Novembro 01, 2007


Amar elo

Amarelo.
Van Gogh.
Amarelo-bebê.
Girassol e cortina,
meio "In-demo dê".

E no Grito
se vê.

Que essa cor
tão alegre,
também é:
dor e febre.

Acredite
você.

Côco

Corpo.
Coração.
Côco.

"Docilusório"

Posto:
Fora duro,
dentro ôco.

Contraditório.

Olho...Não dou nada.
Dentro uma aguada.
Âmago, íntimo:
polpa adocicada.

Terça-feira, Outubro 30, 2007

Uivo

entre

eu e o lobo

a

fábula


uivos e relva


o

lobo

lúbrico

não fala

falo

lírico eu

na selva

"prenha"

a

senha

do medo

cujo

segredo

atiça

e

cedo



Domingo, Outubro 28, 2007

Vãos

Tudo aqui dentro
se transfigura.

Constantemente.
Fluidamente.
Com lisura.

Graças a Deus!
Senão choraria
eternamente,
sobre os vãos
sonhos meus.

O Relógio

Um dia hipnotizada,
a fitar o relógio preto
da solitude.

Que não marca minutos,
só horas... Lentas horas,
amiúde.

Surgiu na minha frente,
um relógio diferente.

Danado, que andava pra trás.
Enganava a senhora das horas,
segundos, minutos, noves foras:
Eternas horas de paz.

Colorido, em nada enfadonho.
Convidava, atiçava ao sonho.
Dançarino exímio e doce,
como se vivo fosse.

E era como se vivo,
avivasse todas as cores,
amainando todas as dores.

E assim "horatizada",
fitando o relógio vivo
da alegria.

Deixei de contar minutos.
Só eras....Doces eras
de fantasia.

Intelectualice

Metódicamente
separando
o joio do trigo.

Meticulosamente,
idolatrando-se:
Intelectual.

Criaturas previsíveis,
que separam
o joio do trigo.

Ahhhhhhhhh pra quê?
Se somos nada neste
imenso mingau.

Que jogo é este?

Jogue sobre a mesa
e veja como ficou.
Analize.

Agarre com firmeza,
o que mais se afastou.
Mentalize.

E com o auxílio tal,
alavanque uma a uma,
sem bulir,
até o
final.

:))

Fresta

Sol.
Fresta.
Janela.
Dói.


presta,
o que nela:
Festa


resta:
Eu ou Ela.
Rói.

Sol
nesta
ou aquela
fresta.

O que ontem
ânsia e
pressa.

Hoje muito
pouco
interessa.

Terra do Nunca

Terna.
Criança
eterna.
A terra do nunca é aqui.

Fio de
cabelo
branco.
Faço uma trança de ti.

Que ruga?
Que cenho?
Que nada?
Pássaro da morte? Nem-Te- Vi.

Bora dançar ciranda.
Bora pular sapata.
Bora sarandear.
Que amanhã inda tá longe.
Silêncio é para o monge
e o que eu quero é brincar.

Terça-feira, Outubro 16, 2007

Ataque das vespas assassinas

O pai tinha destas manias de cultivar coisas esquisitas.
O pátio tomado de canas de açúcar, pés de milho e batata doce rasteira. Fora o limoeiro, pessegueiro, ameixeira e a frondosa goiabeira.
Terreno propício para a imaginação correr solta. A floresta era o planeta inóspito e distante, onde aterrisava com sua Nave-Cinamono, onde pisava em câmera lenta, seguida pelo seu companheiro de aventuras, isto, quando este conseguia fugir do terrível monstro que guardava a cadeia do leste, seu avô, no qual aplicavam as mais estrambólicas estratégias, que garantiam fugas fenomenais.
Um dia o pai extrapolou as expectativas. Trouxe para casa uma caixa. Uma caixa zumbizante.
A casa das abelhas assassinas do Noroeste da Birmãnia, ou na visão normal dos adultos, uma colméia de abelhas.

Seu mundo de aventuras ficou ainda mais emocionante.Apostas tipo: "Quem aguenta mais tempo com a mão na caixa, sem ser mordido?" corriam soltas.
Numa das incursões pelo planeta hostil, e sendo surpreendidos pelos terríveis homens-cana, tiveram de correr estabanados, pulando poços de areia movediça e.... esbarraram na caixa.

Terror!!!

Fingiram-se de estátua. Houve um princípio de tumulto, um zumbido ensurdecedor, tá!... Nem tanto, e após as coisas acalmaram.
Juraram segredo de morte. A brincadeira acabou mais cedo. E naquela noite adotaram o mode silêncio de criança que sujou a fralda.

Na madrugada, algo de assustador acontecia. As abelhas injuriadas, resolveram mudar de ares, e foram instalar-se acima do poço de água, bem ali, onde ficava a rolimã e o balde.

Ao amanhecer, a surpresa. A irmã mais velha, que suspeitavam, devia ter néctar nas veias, de tantas as vezes em que foi picada, deu o alerta. Pessoal já nem ligava, uma picada a mais ou a menos de tantas que ela levava, mesmo correndo todo o quarteirao com a abelha atrás.

Mas a coisa era séria. Dava até para ouvir os tambores de guerra das abelhas assassinas.
Ela pensava com seus botões, ofendemos o Deus delas, teremos de pagar com sangue. Buaaaaaaaaaa!

A casa cercada de abelhas, que tentavam entrar enfurecidas por cada fresta, e o que mais tinha na casa eram frestas.
Todos foram convocados, a fechar escotilhas, chinelos em punho. Lutar até o último homem, ou criança, ou mãe P da vida, pois estava atrasada com seus lavados pra fora. O pai teve de abandonar o front na corrida, pois tinha de ir trabalhar e os outros ficaram lutando bravamente, vendo o assoalho tingir-se de preto zumbizante.

Pai volta para o almoço, que não foi feito, com uma idéia. Tascar fogo, aliás fumaça com um cabo de vassoura, de longe.
Pior! Dai que as bichinhas se "arrevoltaram".

Lembrou de uma conversa com um vizinho, que queria comprar a caixa, que entendia delas, que bla bla.
Foi até lá, atravessando um vasto campo em frente, e voltou com o dito cujo carregando uma caixa.
--Pode deixar compadre me entendo com as bichinhas. Mas quanto lhe devo?
--Nada! Pode levar!

O homem fez uma mágica qualquer e elas entraram na arapuca. Lá se foi satisfeito.Mal sabia ele, o que lhe reservava o destino.
Bulir com o Deus das Abelhas Assassinas não tinha perdão.
No meio do campo tropeçou, a caixa se escangalhou e foi atacado impiedosamente.
No hospital disseram que escapou por milagre. Eram abelhas africanas, sanguinárias.

O bom de tudo é que fazia sol, e ela já foi chamar o companheiro, com seu assovio secreto, pois havia um planeta para ser explorado e não podiam perder tempo.

Lado de cá

Há que desviar das pedras
e ver onde não há.
Algo melhor que merda,
vejo do lado de cá.

Gritar inda não é tudo.
Há que burlar antiga lei,
pois na terra do surdo-mudo,
quem tem um olho é rei.

Quem sabe um rock

Queria a palavra exata.
daquela que não mata.
só esfola.

Para soar te amo.
mas dizer me engano.
Esmola

Queria agora um rock.
Um eletro-choque.
Epilepsia.

Pra te dar um toque,
mesmo que me soque.
Letargia.

Não! Que nada: Um jazz,
ou um blues "reles",
re-dançante.

Que te ponha aos pés
de qualquer revés.
Brutamontes.

Céu

O céu da minha boca,
tem estrela e astro.
Tem cometa e rastro

O mel da tua sopa:
Universo e fausto,
de sorver num hausto.

E no infinito céu,
a rolar ao léu:
Meteororgasmo
de um Deus espasmo,
a fitar a Terra,
entre doido e pasmo.

Sábado, Outubro 06, 2007

See me, "Filme", Touch me

Veja.
Toque.
Sinta.

Veja o filme que passa
acima da tua cabeça.
Enterneça.

Veja o sangue que vaza
além do teu nariz.
Infeliz.

Sinta.
Toque.
Veja.

Toque a ferida que arde,
no "feel me" que tu não viu,
no tato que não sentiu.

Além do campo florido
há tudo o que não há:

(Braços abertos.
Alma-"escancara"
e uma súplica:)

-Toca-me, antes que me vá.


*ouvindo Tommy

Ele

Ela o conhecia desde criança. O médico da família.
Sentia admiração e devoção por ele.
Era uma moça bonita e tímida, saída da adolescência. Ia lá volta e meia. Mil pretextos.
A prova. Tinha de faltar ao trabalho para estudar, será que ele conseguia um atestado?
A angústia que sentia. O tédio. Será que estava com anemia?
Ele sempre ameaçava rasgar o diploma.
---Pico ele em mil pedacinhos se você estiver doente. Saia, namore, respire ar puro que passa.

Naquela tarde, a queixa era uma dorzinha incômoda. Não tinha lugar certo.
--Aqui?
--Não.
--Aqui?
--Não.

Gostava daquele ritual. Ir atrás do biombo, trocar as roupas todas por um fino avental de toque rústico sobre a pele. A idéia de se saber nua lhe dava um gostoso arrepio.

Respirar fundo enquanto ele lhe escutava o coração.
--Inspire.
--Expire
--Diga A
--Ahhhh! Deixou escapar um gemido.

A anos lhe dizia: A

O rosto dele tão perto, a boca quase a tocava, puxando sua pálbebra.
--Hurrum..

Deitada na maca, ele de pé. Havia sentido, seu corpo grudado em sua coxa. E a dureza que presumia não estar indiferente.

Não sei o que lhe deu, quando pegou a mão dele e pousou sobre um seio.
--Dói aqui.

Num minuto que levou séculos, ele lhe puxou o avental, e a acariciou com tanto carinho comovido.

Mas logo se recompôs.

--Menina Comporte-se!
--Não estou aqui pra brincadeiras. Teus caprichos.
--Vá embora e tome jeito. Senão conto a teu pai.
--E só volte aqui quando tiveres mais juízo.

Ela levantou-se aos prantos, vestiu-se e saiu.
Chegou em casa chorando. Queriam saber o que era.
O namoradinho imberbe todo preocupado.
--Nada! Me deixem em paz.


Entrou para o banho, e no calor da água, gozou aquele sonho impossível.

Nunca mais voltou lá, pois jamais encontrou o juízo.

Quarta-feira, Outubro 03, 2007

No calor da hora

Eu escrevo de qualquer jeito, no calor da hora.
Leio algo, ouço uma música, no meio de um papo e pronto! Lá vou eu escrever.
Diria que escrevo debaixo de mau tempo.
Nunca tranquila, sossegada, com uma xícara de chá, incenso, silêncio, música clássica.
Nada disso.
Sob pressão mesmo.
A panela queimando no fogo, parando de minuto a minuto pra ver o replay, passo a passo, de como foi o último gol de Biel. Atendendo o telefone sem parar. Parando pra abrir o portão, fechar o portão (aqui em casa é uma romaria, vizinhos, amigos, primos que vem e vão num rodízio eterno).
De olho na minha gata, que anda querendo trocar de ninho com os cinco filhotes e meu roupeiro está muito cotado.
Entre uma conversa e outra, ao som do jingles do caminhão do gás, a todo volume passando em frente à janela ( "Se tem o lacre azul do cachorrinho, pode confiar, é liquigás...").

Por isso, alguns erros que ficam provisório-eternamente, para serem corrigidos.
Escrevo sem rascunho, e às vezes perco tudo.

Uma coisa é certa, não escrevo no trabalho, pois corre-se o risco de sair algo muito poético no meio das planilhas de excel. Ainda mais que a impressora é coletiva, Capiti.

Há anos não escrevo com lápis e papel, a não ser formulários ou recados na agenda escolar de Biel. Tudo no teclado.
Me assombro com minha rapidez. Se for parar para ver onde está cada tecla, me embanano, mas quando engreno uma 1ª, sai da frente. Os pensamentos vão direto da cabeça para os dedos, desconfio que já para tela.
Noto isso, quando tento copiar a letra de uma música com ela tocando. Bah! Termino até antes do cantor. O mesmo quando faço as paródias, vou ouvindo e escrevendo minha letra com o ritmo e tudo. Coisa estranha.

Não tem coisa que me instigue mais a escrever do que ler os textos dos outros. E se acho um cordel, então! Me abanco e passo horas de trololó.

As poesias são um caso a parte, elas baixam, não sei de onde. Estou navegando pra lá pra cá, de repente: Tóing! Viro zumbi vou direto em Post e as coisas mais estrambólicas surgem.

Os causos me deliciam, escrevo rememorando, e rindo muito ou chorando a cada parágrafo.
Alguns funcionam como uma catarse, assim como os poemas.

Resumindo sou uma escrevente compulsiva e o faço para me agradar, talvez para deixar memórias para meu filho. Sem pretensões acadêmicas, nem de vir a ser escritora.

********************************

Fui convidada pela Tânia, para participar da famosa rodada de "Memes".
Não sabe o que é? Eu sei mais ou menos, mas confesso que estou engatinhando nisso.
Então, prefiro abster-me.
Só posso dizer que é a Nova Onda.
hihihihi

E agora convido todos a contar Como Escrevem, levando adiante este Meme.

Domingo, Setembro 30, 2007

Origem


Meu lado branco?
É africano.
É japonês.
É indiano.

Meu lado branco?
É Ameríndio.
Um quê de Sepé
Um quê de índio.

Mas não um qualquer,
e sim Tiaraju,
que teve peito e mandou,
os branco T. N. C.

Sábado, Setembro 29, 2007

Drops

Degustar,
como se drops fosse.

Descascar,
como a fruta doce.

Saborear,
sumo adridoce.

E o bagaço?
Que faço? Danou-se!!

Miasmas

Para espantar fantasmas,
há que arejar, abrir janelas.

Para estancar miasmas,
porejar lágrimas amarelas

Para sorrir, olhar o mundo
e trabalhar coisas belas.

Capa de Livro

Inusitado.
Cheirando a novo.
Capa de livro.

Encapsulado.
Beirando a nojo.
Papa libido.

Encantado.
Brilhante lodo.
Cegante silvo

E o desejo sonda.
E o mistério sonha.

Enfeitiçada.
Vou adiante
e não me privo.

Sábado, Setembro 22, 2007

Fugaz


Ele não sabia de suas origens, só sabia-se fogo.
Só sabia-se efêmero, mesmo sentindo-se eterno enquanto brilhava.
Adorava sentir aquele poder e a forma maleável que tinha.
Seu jeito de estender-se e quase tocar as pessoas à sua volta, provocando medo e fascínio.
Ou então de encolher-se, ao máximo, ao ponto de quase inexistir.
Só soube que era o fim quando a primeira gota de chuva tocou-lhe.
E após ela, outra e mais outra.
Até que sumisse no limbo para sempre.

Quinta-feira, Setembro 20, 2007

Bruxa

Tão cheia de pantominas.
De manobras afáveis.
Maga.

Afeita a desvendar enigmas,
mistérios indecifráveis.
Fada.

Costume olhar no olhar...
E ver o universo.
Feiticeira.

Gosto úmido saborear.
Sabor perverso.
Pistoleira.

De repente o nada o muro.
Compacto frio.
Surpresa.

Silêncio impiedoso, duro.
Inverso cio.
Indefesa.

E agora? O que este olhar te diz?
E agora? Que jaz criança. Infeliz!

Chove

A caravana passa.
E a burguesia late.
Progressivo rock.
Oswald de Andrade.
Uma dica um toque.
Chove na cidade,
no coração,
chove na cidade,
no sexo,
arde.

Quarta-feira, Setembro 19, 2007

Banana

Chiquita Bacana
é da martinica
não é de alguém
rebola e agita

Casca de banana
colar de bolita
que veste e esconde
a alma aflita..

Não é de Andrade
Não é de Assis
Só tem "malandrage"
e nem pede bis

Carinho

Um bolinho assim tão singelo
de batata bem esmagado
E bem no meio o amarelo
dum ovo amalgamado

Colher de amido velho amigo
que liga o que já não liga
e sal por cima espargido

azeite para que core
pitadas de fé que não gore

cubinho de queijo embutido
surpresa quando mordido
agrado pro filho querido
com beijos e palmas
agradece
seu quitute preferido

Pasta & Vino

Pasta que agarra o molho
em dengos de manjericão
segredos de azeitonas
pitadas de açafrão

truque de alhos em lâminas
chuvas de queijo lânguidas

enquanto na taça esquenta
envolto na mestre mão
o vinho da melhor uva
colhida na estação.

Terça-feira, Setembro 18, 2007

Dor II

dormente
dor que sente
doravante
entrementes
entre dentes
escapa
esgar
gemente.

Abecedário

Dizias: CÊ
Eu: ABEDÊ,
Então porque
deixou você
EÉFEGÊ
deixou fugir
AGAIJOTA
AGAIVOTA
no ceu sumir
seu ir i vir
LEMENEÓ
volver ao pó
deixaste só
rompeste o nó
PEQUÊ
porque?
ÉRRÉSETÊ
ficou você
só a mercê
UVEXISZÊ

Segunda-feira, Setembro 17, 2007

Prazer

Cítrico
prazer
cíclico.

Abrange
sentidos,
atiça
gemidos.

Rasga o horizonte.
Estimula,
desenclausura,
sacia,
provoca,
desembota.
Ah!! O que não faz?!
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
Um suco de bergamota!

Domingo, Setembro 16, 2007

Ver

ver gonha na cara
ver dugo no lombo
ver tigem guanabara
ver melho calombo
ver dade mentira
ver ão maresia
ver ão covardia
ver eda sombria
ver emos um dia

Brinquedo

bri nco com palavra
bri o meu de jogar
bri lho que se apaga
bri nquedo de armar
bri oche engalanada
a me engambelar.

Ter

Ter mina
Ter rena sina
Ter ei com Deus
Ter ceira rima
Ter ra me cubra
Ter na caricia
Ter á um fim
eTERna busca

Ser

Ser eno que cai
Ser á que me traz?
Ser pente do mal?
Ser mão teatral?
Ser viço do cão?
Ser tão bestial!
(S)er zindo c'a mão
Meu fim triunfal.

Sábado, Setembro 15, 2007

Sonhos

Todos meus medos,
todos meus enganos.
ora gregos,
ora troianos.

Todos meus desejos,
todos os meus sonhos.
ora freios,
ora insanos.

Negaceios
e floreios
de quietude.

Sarandeios
e trejeitos
amiúde.

Todo o meu medo,
todo o meu sonho.
ora desejo,
ora engano.

Tua uva

usa,
me abusa.
sangra em beijo
tua uva.

suga
esmaga na lingua
tua uva.

abusa de mim
doce no início
amarga no fim.

Quinta-feira, Setembro 13, 2007

cruz

************l u z
************c é u
************j u z
consagrada fé que nos põe de joelhos
ante o altar sé com a alma e artelhos
************c r ê
************o r a
*********** a m a
***********c h ora
************q u e
************E l e
************u m
************d i a
*********** vem

esquisito mas é minha primeira tentativa com poesia concreta

Quarta-feira, Setembro 12, 2007

Oásis


No meio
do caminho
havia um oásis.

E no seio
do carinho
havia um riacho.

Ali matei minha sede.
Ali amarrei minha rede.

À sombra quedei ( cativa )
de um grande querer bem.

Embalei-me ao sabor da brisa
que só um bem querer tem.

Quinta-feira, Agosto 30, 2007



Piquenique na Redenção.
Pão e queijo simplesmente, enrolado em papel de pão.
Refresco de groselha ou framboesa?

O banco, hoje tão solitário e antigo. E ali cabia o mundo.
Eu, você e papai.

Raro passeio.
A lembrança mais rica.

Saudade mãe!

Segunda-feira, Agosto 27, 2007

Do que falo?

Eram cinco Meninas e moravam na mesma casa.
Todos os dias, pulavam de duas em duas, mas tinham sempre de esperar a caçula cruzar a ponte.


Os pés nunca podiam ir juntos.
E era um golpe de sorte alcançar o Céu no fim da estrada.
Volta e meia desequilibravam.
Dava pena... A canela ralada.


Pra ir à "Baía" não precisava avião.
Bastava descuidar da linha e falsear na mão.


Era a mais pesada e brilhante. Igualzinha ao mundo. E decidia a partida.

A Rosa



Sóis e luas se passaram.
E as gotas de sereno
foram o único toque.

Céus e terras giraram.
E as pedras do terreno
jogavam sua sorte.

Soberana, Rainha!
Reinava sózinha.

Expargindo fragância.
Sinais sutis.
Aguardando com ânsia.
Meretriz?

Eis que uma mão bruta
a tocou.
Envolveu-lhe absoluta.
Cegou.

Acordou inebriada.
Deu-se conta. Assustou!
Água fria mergulhada
O tempo ali parou.

Se refez e descobriu
Reinava Rosa do Vaso.
Mas logo veio o ocaso
Murchou, descoloriu.

Quinta-feira, Agosto 23, 2007

Miniconto (arremedo)


Ave não pensa, pensou.
Mas teve a sorte de nascer papagaio, pois imita daqui, arremeda de lá...
Nunca uma palavra lhe fora tão útil.
Vendo que o gato se aproximava, gritou mais alto que pode:
---Socorro!

Imóvel


Clava!
Range,
trava,
a redenção da palavra.

Caverna
escura.
Hiberna
e pura,
a sílaba dura.

Sono acordado.
Espírito
acorrentado.

Lá fora o tudo.
Cá dentro mudo.

Calada
metamorfose.
O nada.

E o tempo impiedoso, passa.

Sexta-feira, Agosto 03, 2007

CLICA AQUI PARA OUVIR

Mil coisas

Se quiser cantar, cante
E se quiser ser livre, que seja
Porque há mil coisas pra ser
É só procurar.

E se quiser viver pra cima
E se quiser viver para baixo
Porque há mil coisas pra ser
Você sabe que sim

Refrão:
Você pode fazer
tudo o que quiser
sua chance está aí
E você pode encontrar
uma nova estrada
que vc pode seguir
Você vê ah ah ah
É fácil ah ah ah
Você só tem que querer

se quiser dizer sim, diga
E se quiser dizer não, tb
Porque há mil coisas pra ser
É só você ir

E se quiser ser eu, seja
E se quiser ser você, tb
Porque há mil coisas pra ser
cê sabe que sim

Refrão:
Você pode fazer
tudo o que quiser
sua chance está aí
E você pode encontrar
uma nova estrada
que vc pode seguir
Você vê ah ah ah
É fácil ah ah ah
cê só tem que querer

Você pode cantar, cante
Você pode ser livre, seja
Porque há mil coisas pra ser
cê sabe que sim
sabe que sim
sabe que sim
sabe que sim

o cat stevens me acompanha com sua musica ao fundo.
If you want to sing out, sing out

Terça-feira, Julho 31, 2007

Para ouvir o texto abaixo

CLICA AQUI
Acordou de madrugada sob forte tiroteio.
Sim! E pelo barulho, era uma guerra de gangues, das feias.
Morava a duas quadras de uma favela. Tudo era possível.
--Biel! Tiro! Chamou o filho que dormia perto.
Rolou o plano A, já frequentemente utilizado.
Atiraram-se sincronizados ao chão, arrastando-se, tomaram o corredor. Cena de filme de guerra, saca?!
Farejou o ar.
--Hum! Isso cheira a incêndio com tiroteio. Algo nao "bina".
Foi ate a porta da frente, abriu pra saber o que era.
No meio do gramado teve a confirmação:
-Sim, a oficina ali perto estava em chamas e o tiroteio devia ser alguma arma que estava lá e explodiu.

Gabriel gritava da porta.
--Entra mãe!!! Desesperado.

Um povo na esquina, oriundo do posto de saúde ali perto (pessoal dorme na fila) olhava para ela ao invés de olhar na direção do fogo.

Daí Gabriel gritou:
--Mãe entra! Tu tá só de calcinha.

Bah! Que mico.

Domingo, Julho 22, 2007

Os Trouxas

Existe corrupção, malandragem e pouca vergonha no mundo todo mas acho que aqui no Brasil a coisa se concentrou de uma maneira exagerada.

Dá impressão que as criaturas já nascem com este gen.

Em tudo que a gente vê tem sujeira, tem maracutaia.

No Brasil, é feio ser honesto. É brega, é atestado de trouxice crônica.

O honesto é trouxa! Só que os sabidinhos de plantão tambem sao trouxas. Porque uns comem os outros.

E o governo lá no topo da imundicie ri da cara da gente o POVO TROUXA!

Acho que se este escândalo de avião caindo, de controlador de vôo fazendo beicinho, de político fazendo gestinho fosse na China, os próprio envolvidos se davam um tiro na cabeça de vergonha.

Eu me sinto um ovni, pois tenho caráter, sou regida por fortes princípios de justiça, integridade, honestidade, coisa que aprendi com meus pais. Estou cercada de podridão por todos lados, desde o açouque da esquina até o Planalto Central.

É um tal de "Vamo se dar bem!" geral!

Os políticos? Blergh! Nojo! Neles a coisa se aprimorou de um jeito que vixi!
Desconfio que ate existe uma escola pra isso.

Chocada! Desanimada! Atrasada! Mas desabafada!

Sábado, Julho 14, 2007

Quando foi que tudo ficou assim
tão pesado?

E você não pode desanimar.
E você não pode fugir.
A cruz está ali enorme no meio do caminho.

Caiu na armadilha!
Tá Ferrada!

Precisa prosseguir e com um sorriso nos lábios.
:)

Domingo, Julho 08, 2007


Quem tem o dom
de despir-se da casca.

Voar além
da mente-corpo: carrapaça.

Conhece o prêmio
de descobrir.

Pairar nas alturas
e sorrir.

Constatar que vista do alto
a Terra é azul.
É pequenina

E após este salto
nem existe. Não!
Qualquer sina.

*inspirada em um post de Darlan

Quarta-feira, Julho 04, 2007

Rapto do Flamingo


Ela ria-se muito ao lembrar do episódio. Contava com minúcias que se perderam na minha memória.
Porque o tempo leva nossas lembranças?

Moravam num começo de morro, na roça, casinha humilde, cercada de propriedades abastadas dos alemães, imigrantes, donos da colônia.

Elas plantavam na roça, criavam perus e galinhas.

Os Kraus faziam divisas com as terras onde ciscavam as aves.
E ave respeita divisa?

Volta e meia uma escaramuça.
--Que as galinhas, meliantes, haviam comido seus canteiros de repolhos.
E vupt, vupt, la se iam os perus, pescoço torcido, execução.

Impropérios em outra lingua, soam mais terriveis e engraçados.
E ela os repetia baixinho sem entender.

A mãe emprestada arquitetava vinganças incomensuráveis, mas depois esquecia.

Um dia na volta da roça, pelo mato, deram de cara com aquela figura sui gêneris.
Plumagem branca-rosada, pescoçudo, de uma raça desconhecida. Andando com aquele jeito desengonçado.

Fugiu desarvorado quando tentaram pega-lo.

Bem! Vingança é um prato que se come frio.

Ela a seguia, que por sua vez seguia o bicho, ao cair da noite, morro acima, mato a dentro.
Armadilhas, alçapões...e pah.

Um passo elegantemente em falso e viu-se cativo o imponente Flamingo. Sim, porque anos mais tarde descobriu ser Flamingo, o nome daquele bicho importado com muitos outros pra enfeitar o lago da casa alemã.

Acabou na panela.
Desprezado o estranho pescoço, deu um belo caldo.
E risadas muitas.

Segunda-feira, Julho 02, 2007

Dulce

Se me quieres adocicada,
soy avelã,
mel suave, açucarada,
tecelã.

De sonho
e palavra.
Beijo
e ninar.

Componho,
recito,
revejo e
voi la.

Nadie me vê
agridoce.
Ninguna acidez
que me lê.

Todo el sangre
que verto
lo bebo.

La lágrima
que sangro
no cedo.

Só ante a mim
sei chorar.

Domingo, Junho 17, 2007

Roxo


Já vi flores astrais
Blues Negros
Vermelhos demais.

Hoje eu quero o roxo
mórbido do esquife
de um morto!

E todo...
Todo seu aveludado
conforto!

Terça-feira, Junho 12, 2007

O Amor é cego. Inda bem!


Que o amor não veja entrementes
depilações e
ceras quentes.

Que suporte qualquer ventania
prestações atrasadas
das Casas Bahia.

Que seja infinito posto que é chama
Ignore bundas falsas
e o seio que engana.

Que o amor seja louco e cego
não veja meias espalhadas
pelo tapete feito jogo de lego.

Nem dê por achadas
calcinhas no chuveiro
penduradas

Mas que veja tão sómente
o que de lindo o amor tem
E que se embriague lentamente
no encantamento de seu bem.

bah!

Domingo, Junho 03, 2007

Ave de rapina.
Incansável.
Assassina.

De nada adianta
fazer-me de morta
ou santa.

Fure logo minha retina.
Acabe com esta sina.
Arranque meu coração,
o figado e o pulmão.
Junto leve meus ossos,
os rins e os destroços.
Destrua qualquer vontade.
Resquícios de mocidade.
Que o espírito já morreu.
Quem fala aqui não sou eu
e sim um resto de nada.
Uma alma penada
que de viver se encheu.

Quarta-feira, Maio 23, 2007

Escuridão


Escuro de um negro
tão breu,
quanto minha alma
e eu.

Asa de um corvo.
Presságio.
Cobre-me o corpo.
Adágio.

Não me venhas
com rosa e liláz,
e tudo que
a beleza tráz.

Que hoje quero terror
de caverna escura,
úmida e dura.

O véu da cegueira.
Omissão segura,
voluntária e pura.

Noite sem estrela,
nem luz de lua.
Que apague
a lembrança tua.

Terça-feira, Maio 22, 2007

ANJA AZURU

NET DE VIGÍLIA
NOITES DE IAKIN
SHIGOTO DA ALMA
A PROCURA DE MIM


ETERNO GOMEN
PRA ALGUMA DESILUSAO
TENTANDO SER URESSHI
DE TODO CORAÇÃO


NO MERU...NO MERU...
...DU KETAI

HUA HUA HUA

GLOSSÁRIO (japa):

YAKIM= TRABALHO NOTURNO
SHIGOTTO= TRABALHO
GOMEN= DESCULPA
URESHII= FELIZ
KETAI= CELULAR
NO MERU= ?????
HUA HUA HUA= RISADA DE ANJA AZURU


ABSINTO
verde gole
eu te sinto
tu me bole
e nao minto

tu me usa
verde musa
verde dose
hipnose!
meover dose
trimedusa
pronde olho
tu se move.

Quinta-feira, Maio 17, 2007

Blues

Azul,
marinho,
sombrio.

Anil,
naufrágio,
navio.

De alga
imersa em agonia.

De alma
inversa e apatia.

Não azul-céu.
Abobadamente celeste.

Quase azul-véu.
"viuvísticamente" cipreste.

Das cores que cobrem
e sufocam a beleza.

E petrificam, congelam
qualquer delicadeza.

Rubro


Um poema encarnado
sangue e verniz.

Um grito arrancado
da tarde gris.

Nada suave
delicado.

Rubro veneno
destilado.

E o coração
por um triz!
Olhar

esquadrinhando
o nada.

Pulsar
Pulsar
inerte

como alvo
ansiar
(me acerte)

Consumir-se em
seu proprio
calor

Como chama
tremula
hirta
flamula

a espera do sopro
gélido
sem amor

Movida a lua
nua
sua

suor frio
vazio
fino

espasmos de um prazer vão
como todos prazeres são

Toda volúpia
é pouca.

Quando não há
pele com pele
boca com boca

Terça-feira, Maio 08, 2007



Domingo, Maio 06, 2007

Voraz II

1ª Parte


No céu da boca toda estrela é sabor.
E o gosto da saliva um misto: *gengibre e cor.
Não demorou pra que peito com peito se confundissem.
E pernas e braços e dedos e dentes...
E céus e terras sumissem.

O tempo parou e o que girava era um caleidoscópio de luzes difusas...
Confusas.
Como se tudo estivesse a mercê do compasso do coração.
(tum tum tum)
Não havia dia, não havia noite, apenas soberana emoção.
Tudo... Tudo se resumia em Sim e Não.
O Universo previa a inviabilidade de um "Nós".
Tateavam cegos e não sabiam...
Que o caminho terminaria "a Sós".



continua...

Sexta-feira, Maio 04, 2007

Sem
.
.
.
.
Graça
.
.
.
.
O tempo
.
.
.
.
passa
.
.
.
.
rindo
.
.
.
.
na vidraça
.
.
.
.
de pirraça.

:(((

Segunda-feira, Abril 23, 2007

Carona


Montar.
Um movimento de coxas.
Roçar.
O contato do couro
tocar
a virilha desnuda
segredo.
Tesão
e medo.

Domingo, Abril 22, 2007



Então que seja pra sempre
pra sempre a escuridão.
Já que nesgas de arco iris
já nao me bastam não.

Que seja assim

Voo Cego


Deve existir um lugar
entre um momento e outro
onde eu seja eu mesma.

uma brecha no tempo
esgotado de rotinas
onde possa descansar
cansadas retinas
de ver e rever
o mesmo
o mesmo
e meus ouvidos
zonzos de tanta
inutilidade
possam ouvir novamente
o marulho do mar
o sibilo do vento
e o vacuo acima das nuvens

em que eu respire
o ar precioso da individualidade.
Não sou importante
nada mais que um grão de areia
que se perde na maré cheia.

e nem precisa maré
basta marola
das mais ralé

pra me afogar inteira
me arrastar da beira
me atirar nas pedras
improvisando quedas

e lá ficar caramuja
dentro da mesma concha
de onde tentei a fuga

olhando sonhos pela janela
sonhando risos
quem dera

:((

Quarta-feira, Abril 18, 2007

Eu Prometi um poema
que aqui dentro nascia
mas ainda não sabia
que enquanto o mundo gira
e o anjo toca sua lira
muita agua sob a ponte
entre o riso e a agonia.

:((
anja naja
najianja.

anjanaja
caramuja

janjiara
cara suja

:))


lua e sol
sol e lua

razão minha
alma tua

:((

Quinta-feira, Abril 12, 2007

Voraz

Caía de astros paralelos cruzarem o céu e uma chuva de estrelas casuais predizia futuros fugazes.
Eis que os olhos se encontraram e as faíscas inacreditáveis trataram de consumir o todo.
O todo se resumia em nada e em tudo e nada se reduziram.
Pretendiam falar de anjos e corações mas as bocas se procuravam.
E das bocas exalava um calor incomum como se almas saissem por ali.
Do que era pra ser ósculo apenas, um emaranhado de linguas se tornou.


Silêncio!


O imã sob a pele branca jasmim buscava o imã sob a pele morena cetim.
O contato vicia...arrepia e como se previa viciou.



...continua

Quarta-feira, Abril 11, 2007

Turbilhão

Injusto
é ter uma só vida
quando mil vidas seriam insuficientes.

Absurdo.
Lamber uma só ferida,
entre mil chagas incandescentes.

É calar
quando a alma canta.
E cegar
quando o sol encanta.

É morder a lingua
entre muda e tonta.
E morrer a míngua,
iceberg a ponta.

Estremecer imóvel
estátua na estação
enquanto o trem da vida passa.
e arranca trilhos do chão.

Quarta-feira, Março 28, 2007

O Castelo


De arasbesco e sonho
construi um castelo
por demais singelo
de areia sómente.

Num esforço medonho,
Destrui-o! Tão belo!
Num terrível duelo,
Entre a alma e a mente.

Sábado, Março 17, 2007

Ventania

Odeio os dias de vento.
Meus cabelos desatinam.
Tudo mau pressentimento.
Sol e vento não combinam.

O uivo do vento desanima,
dá uma vontade de nada.
Uma triste ladainha
varrendo toda a calçada.

Os fios de luz assoviam
que nem filme de terror.
Lá fora um céu lavadinho,
cá dentro um amargor.

Nem amargor. Um tédio
de uma preguiça medonha
sem cura nem remédio
da apatia a peçonha.

Com vento não há beijo,
nem risada, nem nada.
Parece que até a vejo,
Minha mãe amuada:

"Diacho de ventania
que desarruma a gente.
Dá até uma agonia
que deixa a alma dormente.

Esta esparrela só serve
e muito bem acertada
pra secar bem a roupa
no varal a chicotadas."

Acho que herdei isso dela.
Até querer não queria.
É muito eu, muito ela,
de murchar na ventania.

Bile

Agua lava
a lava
que transborda
e cava
belas
grutas

Bile *verde
e fel
disfarce em mel
dissolve
pedras
brutas.

Quisera


Dissecando a insustentável leveza do ser
Kundera me transporta ao leste europeu
E no ateliê de Sabina...
Quem veste o chapeu côco sou eu.

:)

Olha a Onda


Vem de onde menos se espera.
A Onda!

Mar calmo, céu limpo se esmera
E tonta!

Toda quentura esfria.
Toda brisa estia.

Tsunâmico impacto!
O castelo de areia
até então intacto
forte-fraco titubeia.

O que era certo...Duvidoso!
O que era claro...Nebuloso!

A Onda sempre vem.
A Onda não perdoa.
Há males que vem pra bem
e nada acontece a toa!

Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007

Haragana II

Ela é dessas mulheres
Sem pátria e mau tempo.
Porta-se bem com talheres.
E pode dormir ao relento.

Encara a vida de frente
De multiuso e façanha.
tem um olhar diferente
tanto bate como apanha

E se tivesse mil vidas
Ah se tivesse!

Renasceria Haragana
o tanto quanto pudesse!

Domingo, Fevereiro 11, 2007

Chuva


Se chove e os pingos da chuva
vem desenhar arabescos
na vidraça

Ela os quer sobre a blusa.
sai à rua aos tropeços.

Não teme trovão,
nem corisco.

Que o tesão
s'tá no risco.

Ritual

Nos últimos tempos tinha insônia. Andava como um zumbi pela casa. Sempre me acordava.
Fazíamos o ritual da paçoca de ovo.

Quando eu era criança, sempre que estava triste ou perdia o sono ela convidava:
-Vamos comer uma paçoquinha?
Aquilo acalmava! Eu e ela no silêncio da madrugada, comendo no mesmo prato, no aconchego da cozinha.
Conversávamos sobre tudo e todos, sobre planos, futuro e passado.

A cozinha era mais confortável. A geladeira tinha mais guloseimas. Mas a farofa era a mesma. Era o que
confortava. Aliada ao café preto.

Deu pra fazer confidências, se abrir em detalhes, confessar fraquezas. Os papéis aos poucos se invertiam.
De filha passei a ser mãe. De mãe passou a ser filha.

Durante o dia tinha momentos de silêncios perturbadores. Via o medo nos olhos dela. Tentava descobrir no
que pensava. Perguntava, insistia. Ela se exasperava:
--Vai te arrumar rapariga. Não tenho nada.

Hoje eu sei no que pensava. No tumor que lhe comia um seio. Que devorava as esperanças de ver o neto
crescer, que lhe privaria de me acompanhar como sempre havia feito.

Um dia não deu mais pra esconder. Emagrecia demais. E tinha dores. Me chamou assim do nada:
--Veja o que tenho aqui.

Quando toquei naquele caroço enorme como uma laranja. Senti o chão sumir, o céu rodar. Um frio invadiu
minha alma e até hj está aqui.
Não conseguia me perdoar. Logo eu que cuidei tanto. Levava-a regularmente ao médico, ao cardiologista,
quase à força, fazia exames gerais, controlava pressão, coração, colesterol, a PQP. E não vi aquilo. Não viram aquilo.

Ela se recusava a ir ao ginecologista. Pudores antigos que não consegui remover mesmo que tenha tentado.
Sorri!
--Ora mãe, arranjaste isso agora é?
Não há de ser nada! Coisa fácil de resolver! É so operar fazer tratamento! Nem se apavore que a medicina
está muito avançada! Pode nem ser maligno! Vai ver é só um cisto!

Segurei o quanto pude. Me tranquei no quarto e chorei. Caia uma tempestade e os trovoes abafavam meus
soluços.

Assim minha melhor amiga, meu anjo da guarda, foi se despedindo da vida.
Teve ânimo até ouvir o veredicto da médica um mês depois.
- É câncer!

Eu e meu irmão deixamos ela sentada e fomos cada um buscar um exame. Nos encontramos atordoados,
cada um com exame pior que o outro. Resolvemos falar escondidos com a médica:
--Não fale que é câncer por favor. Ela não vai suportar.

Concordou. Mas quando ela perguntou a tratante respondeu:
--É câncer. E não dá mais pra operar e o que resta é tomar uns comprimidos.
Meu irmão quase a esganou. Sempre foi muito estourado. Eu apaziguei.Enrolei. Pelo menos na parte dos
ossos se desfazendo menti que era osteoporose e ela acreditou.

Dali em diante os dias correram sem que eu enxergasse. Só olhos para ela. Sempre sorrindo sempre
acalmando. Minimizando terrores.
As dores aumentando.

Em uma semana ela foi silenciando. os olhos perdidos. Quase não estava mais ali.
Um dia sentia muita dor eu apareci com uma blusa de algodão, macia pára substiruir o sutiã. Ela disse:
--Que seria de mim sem você. Sempre encontra solução para tudo. e me estendeu a mão.
Fazia isso seguido, em silencio, apertava a minha mão com tanta força.

Sua última preocupação lúcida, foi com a sopinha de Gabriel, quem faria? Se só ela fazia? Pediu a uma
parente cortar cenouras, abóboras, tudo e congelar. Não sossegou enquanto não viu feito.

Chegou o momento adiado de ir as pressas para o hospital. No carro ela olhava para cima, pela janela. Vendo céus e arvores passarem vertiginosamente.

No Hospital a tortura. Espera por leito. Foi perdendo a razão. Ouvia uma criança chorar. Maldita criança que
chorava sem parar.
--Vai ver esse menino. Deve estar com fome!
--Vai ali na cozinha me traz um chazinho.
Não tinha chá mas água roubada das enfermeiras.
--Hum bom o cházinho.
--Fecha as janelas está tão frio.
Sentiu fome, Não tinha nada pra dar-lhe e não podia abandona-la. Pedi uma bolachinha para um velhinho só
pele e osso agarrado ao soro. Ela não conseguia comer.
Encontrei uma sala vazia e a coloquei longe dos gritos e fui a procura de um médico, alguém que me ajudasse.
Ouvi seu gritos de longe pelos corredores.
---Filhaaaaaa! Não me abandones!
Voltei corrrendo. E sofri.
Roubei um lençol de uma sala e a enrolei nela na cadeira de rodas. Consegui arrastá-la sózinha até o
banheiro.
--Você sempre resolve tudo. Você é meu anjo da guarda.

Aguentar! Sem chorar! Sem ter pra onde correr nem ninguem pra ajudar.
Minha irmã ficara em casa com meu filho de seis meses que eu não via a mais de uma semana. Meu irmão
viajando. E o hospital era o Clinicas. Sem vagas,sem leitos, sem esperança.

Trocou mais um plantão e surgiu aquele anjo disfarçada de médica. entendeu a súplica no meu olhar, e
conseguiu um canto para minha mãe.

Durou pouco. Chegou a ver meu irmão. Mas viu-lhe menino, moleque. Passou-lhe um sermão que estava com a camiseta molhada. Duma hora pra outra ficou cega. E só ficou viva porque esperava apertar a mão de minha irmã mais velha.

Quando trocamos de lugar e fui atender meu filho que queimava em febre, minha irmã foi vê-la. E ela morreu
nos seus braços.
Senti o momento de sua morte. Vinha do médico com meu filho no colo. Magrinho, vomitando, doente, e senti.
--Ela morreu! Acabou-se! Nunca mais uma amizade sincera assim. Nunca mais ter alguém pra contar as
coisas, pra vibrar junto. Nunca mais!

Mas o menino chorava! E queria meu seio. A vida continuava. E lembrei do que me disse:
--Eu já vivi. Agora é a vez do menino. Caminha cuidar dele!

Sexta-feira, Dezembro 08, 2006

FIESTA II

Desconcertante visão
após a festa
limpar o salão!

Quantos "te quieros"
por ai espalhados
beijos roubados,
por fim descartados.
Peças de roupas,
garrafas vazias,
copos quebrados,
versos mutilados,
jura esquecida,
noite mal dormida
o sal das palavras
lavando a ferida.

Desatar o laço,
respirar fundo
ensaiar um passo
enfrentar o mundo...
FIESTA I

Entro na festa....
Como quem sai do túmulo.
Zumbi!

Quero luzes. Quero brilho.
Quero música.
Frenesi!

Entro na festa
descalça,
descrente,
falsa,
demente,
angústia,
latente.

Te queria Futuro...

Presente

***************************

Champanhe please!
Para uma dama sombria
de pés descalços na areia fria.
Uma dama de olhar distante
de triste semblante.
Musa perdida de andar errante.

***************************

Eis que passo invisível
por entre as gentes.
Meu olhar persegue o horizonte
tentando adivinhar
a doce baunilha de nuvens
no céu de amanhecer.
Lá onde o mar se perde
onde o fogo do sol ferve
o dia espera pra nascer.

Terça-feira, Novembro 21, 2006

Pod Ouvir

SOBRE CINEMA

Quarta-feira, Novembro 08, 2006

Gozo


Fogo.
Estado gazoso.
Iluminado gozo.

Quente.
Estupidamente
semente.

Brilho
faiscantemente
indecente.

Busca o olho que atrai.
Fere lindamente
e cai.

Fagulha
dormente
indefesa jaz.

E no céu
novamente
incômoda paz.
silênciovazio
ecobrandovácuo
ocovozerio

quietudexterna
aquidentrocaos
falastroninterna
solidãoeterna
pensamentosmaus

gritosóeuouço
neste vasto eu
e tudo lá fora
é Breu!

Um bem querer


Parabéns a um amigo!
melhor assim!
:)))

Quarta-feira, Novembro 01, 2006

Tesão


Frisson apenas. Sem dor.
Só desejo de prazer?
Sem passar pelo amor?
Na palma de uma mão derreter.
Só atrito entrepernas calor.
Invadida de gozo estremecer.
Retribuir com ardor.
Frisson de minutos renascer
santa no andor.

"Só por amor me dou
e mesmo que não amada
sou"

Sim ela também deseja,
se despe da nobreza.
Animal que é.
Uma boca, um olhar
um jeito de andar
a forma de um pé.

O mesmo fogo consome
o que o homem escancara
e a mulher nega.

O mesmo tesão, a mesma fome
que o homem sacia
e a mulher cega.

Sábado, Outubro 28, 2006


O que é CULT?
O que é BREGA?
O que é IN?
O que é OUT?

Talvez me sobre
o que te falte!

O que é DOR?
O que é PRAZER?
O que é PRÊMIO?
O que é CASTIGO?

Na verdade
Não importa.

TUDO MUITO RELATIVO!

Sexta-feira, Outubro 27, 2006

Parod Cast

XOTE DA LOÍSELENA

PICOLÉ DE CHUCHU

DEIXA EU QUE EU VÔ VOTAR

Segunda-feira, Outubro 23, 2006

Altiva como no nome


Olhinhos azuis, sinais de vida no rosto que era moldura encarquilhada pelo tempo.
Da minha insignificante infância contemplava a Alienígena Alemã plantada no centro da família.
Vestidos compridos, de estampa escura, todos iguais.
Horas a fazer trançinhas nos cabelos longuíssimos e brancos, os quais arrumava em estranhas bolas no alto da cabeça.

Enquanto desfilava histórias longínquas e incompreensíveis, soltava baforadas que tirava de um cigarro de palha.
Este ritual também me fascinava como tudo. Cortar o fumo de rolo, pica-lo metódicamente, o corte da palha, enrolar pacientemente, a lambida no final, a labareda do primeiro fogo.
Neta emprestada de estimação tinha tempo e vontade para acompanhar suas reminiscências, entrecortada de resmungos, hiatos e interjeições na língua estranha.

Do lado da cama ficavam as duas malas antigas de madeira, com etiquetas estranhas. Sinais que atravessaram o mundo. Objeto de cobiça para mim, assim como a lata de biscoitos
decorada e dentro broches, alfinetes e lembranças que herdei com sua morte.

Quando meu pai nasceu de numerosa familia, sua mãe faleceu, mas antes confiou-o à madrinha, velha da colônia alemã, casada sem filhos.
Daquela colônia onde meu pai era "Piterr", onde ele aprendeu palavras estranhas como "Cófe" e...Como era mesmo manteiga? Maldita memória.

Me arrepiava quando ela contava o episódio em que outro menimo Píterr, este legitimo, foi arrancado dos braços dos pais,"traidores" alemães que emitiam sinais por um rádio delatando submarinos brasileiros. Eles juravam que não e a mãe gritava desesperada:
-My Piterr noo!
Chegava a ouvir o berreiro do menino vendo os pais sendo levados pra nunca mais, só porque tinham um rádio.
Era uma gente unida. Acolheram mais um Piterr desgarrado. Sofreram martírios proibidos de falar sua língua.Obrigados por brasileiros, a carregar arados nas costas nos lugar dos bois.Enquanto ouviam sem entender gritos de:
-Quinta Coluna!!!

Aquela cidade encrustada num vale cercado de montanhas era uma "Europa" pra mim,quando pintada pelas cores da infância, saídas da boca de minha vó.
Único lugar onde tinha água encanada movida a engenhocas fascinantes.

E os moinhos? Que espantavam os nativos acostumados a a tirar a farinha do pilão.
Toda vez que surgiam os moinhos lembrava Quixote:
-Teria trabalho por lá.
E o grande mistério: Seu marido, um homem muito sério de poucas palavras.
O gigante de capa preta, chefe de policia, metido em reunioes secretas, que saia altas madrugadas a cavalo seguido dos outros homens mais estranhos, num galope ensurdecedor, enquanto meu pai espiava medroso da fresta da janela.

Pena que não tive tempo nem idade suficiente pra decifrar aquela Mulher versátil, que entendia das ervas e curativos.
Que um dia salvou meu pai da maleita, se embrenhando na floresta e voltando com um chá de quinino muito antes da descoberta de seus dons.

A vó que benzia de cobreiro e tudo o mais. Que me passou suas ladaínhas.
-Perdão Vovó esqueci quase tudo e a linhagem das "bruxas" se desfez.
Só lembro de coisas esparsas tipo:

-Que tens (Pedro)?
-Cobreiro brabo!
-Corto a cabeça e o rabo!

Saudade da vó emprestada, que me fazia passar vergonha, quando cismava de visitar a comadre tres ruas adiante, e eu era obrigada a acompanha-la naquele passinho de tartaruga, com seu vestido esquisito de antigamente e sombrinha que chamava demais a atenção.

Corava muito mais quando por conta da incontinência urinava de pé na rua, já que não usava calcinhas e tinha passado demais da idade pra se prender a regras e frescuras.Seguia como se nada tivesse acontecido. Altiva como seu nome.

-Que tens anja?
-Saudade braba!
-Solte a lembrança e o verbo!

Domingo, Outubro 22, 2006

Pescaria



Jogo a rede e
deixo filtrar.
Boiando em
caldo interior.
Revolto mar.

Aqui e ali
pescaria.
Ternura,
euforia.

Aqui e ali:
Medo,
paúra,
segredo.

Pego o que me serve.
O que não serve?
...Degredo!

Sábado, Outubro 21, 2006

Dia Hoje





O homem lavando a calçada
e nisso se empenha tanto.
E faz com ímpeto e raiva.
Água como se fosse pranto.

Menino de orelhas vermelhas
berra encostado no muro.
Ante a sombra gigante
da mãe intolerante.

E só queria colo!

A carro de som anuncia:
-Tudo de bom.
Farturas de melancias.

Um céu de doer nos olhos que veem
mendigo catando no lixo
o que ainda de bom tem.

Um vento gostoso agita palmeiras.
Meninas em brincadeiras.
E longe um som impertinente
nos impõe:
"FULANO! Pra presidente!

Quinta-feira, Outubro 19, 2006

Garatuja Digital





anjacaramuja
ninjafarsa
carasuja
se disfarça
se esparrama
se esparsa
em garatujas

garatujadigital
que não manja
cyberanjangelical
que de anja
nem tem asa
nem é fada
masemansa
caprichada
e viceral

Quarta-feira, Outubro 18, 2006

É da idade



É a idade.
É a idade.
Felicidade?
Ninguém viu,
ninguém sabe!

Andar mais lento?
É da idade.
Favor ao vento?
É da idade.
É da idade.
É desatento?
É desalento?
É da idade!

Terça-feira, Outubro 03, 2006

seus problemas acabaram!!!


Então é isto
De volta a concha
.
.
.
.
Vc anda ouvindo mais do que falando?
Anda aturando mais do que devia?
Dormindo pouco?
Fumando muito?

Anda desperdiçando sorriso a toa?
palavra a toa?

EN-ca-RA-mu - JE - se!!!!!

Não de ouvidos, não gaste paciencia,

Leia só o que quiser, escreve para si e pronto!

Trilha sonora?

AAAAAAAAAAAA PA P.Q.P

Domingo, Outubro 01, 2006

Testando o beta

"Entonces me espalho
nos pequenos dou de prancha

e nos grandes dou de talho"